Em busca de uma solução para os transtornos provocados pela concentração de garças na área urbana de Formiga, o vereador e vice-presidente da Câmara Municipal, Cid Corrêa, esteve nesta quarta-feira (4) em Belo Horizonte, acompanhado do secretário municipal de Meio Ambiente, Dênio Garcia Silva de Oliveira, para conhecer uma alternativa de manejo ambiental que poderá ser aplicada no município.
A visita foi realizada à Biocev, empresa especializada em manejo de fauna e pioneira no uso da falcoaria para redução de riscos envolvendo aves em aeroportos brasileiros. O objetivo foi conhecer a metodologia, discutir sua viabilidade e avaliar a possibilidade de implantação de um projeto para afastar as garças de locais onde sua concentração tem provocado mau cheiro, acúmulo de fezes e outros transtornos à população.
O problema, que se arrasta há anos, afeta especialmente regiões próximas à Lagoa do Fundão e aos cursos d’água que atravessam a área central de Formiga, gerando reclamações de moradores, comerciantes e pessoas que circulam por esses locais.
Durante a visita, Cid Corrêa destacou que a iniciativa busca conciliar o bem-estar da população com a preservação da fauna silvestre.
“Chega de mau cheiro, sujeira e transtornos. Formiga precisa de uma solução. Nós não queremos maltratar ou matar as garças. Queremos resolver esse problema crônico em Formiga”, afirmou o parlamentar.
Falcoaria: uma alternativa baseada no comportamento natural das aves
Durante o encontro, representantes da Biocev apresentaram a técnica conhecida como falcoaria, que consiste na utilização de aves de rapina treinadas, como falcões, para estimular o afastamento de outras espécies de determinadas áreas.
Segundo Cadu, representante da empresa, a metodologia utiliza o princípio da chamada “ecologia do medo”, fenômeno em que a presença de um predador natural modifica o comportamento de outras espécies.
Na prática, a circulação controlada dos falcões faz com que as garças reconheçam a presença de predadores e tendam a procurar locais mais tranquilos para permanecer e nidificar.
O especialista explicou que os falcões são treinados e acompanhados por profissionais capacitados. Embora possam ocorrer capturas durante o manejo, a proposta apresentada prioriza o afugentamento das garças, e não o seu extermínio. Nos casos de captura previstos na metodologia, os animais podem ser recolhidos e posteriormente soltos, conforme os procedimentos técnicos aplicáveis.
A Biocev possui experiência em projetos de manejo de fauna em aeroportos, aterros e outros ambientes onde a concentração de aves exige intervenções especializadas.
Saúde pública e preservação ambiental
Outro ponto abordado durante a reunião foi a preocupação com os possíveis riscos sanitários associados à grande concentração de aves em áreas urbanas.
Um dos profissionais da empresa, médico-veterinário, destacou a importância de buscar medidas de controle que considerem tanto a saúde da população quanto o equilíbrio ambiental.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Dênio Garcia, também ressaltou a importância de conhecer alternativas tecnicamente adequadas para enfrentar o problema, destacando a possibilidade de desenvolver uma solução ambientalmente responsável para o município.
Próximos passos
A visita representa mais uma etapa na busca por uma resposta ao problema das garças em Formiga. A eventual implantação do projeto dependerá de avaliação técnica, análise de viabilidade, definição dos procedimentos de manejo e cumprimento das exigências e autorizações ambientais aplicáveis.
A proposta é estudar uma solução que reduza os transtornos enfrentados pela população, respeitando a legislação de proteção à fauna e considerando as características ambientais das áreas afetadas.
Para o vereador Cid Corrêa, a busca por alternativas especializadas demonstra a necessidade de enfrentar um problema antigo com planejamento, conhecimento técnico e responsabilidade.
A iniciativa abre caminho para que Formiga avalie uma nova estratégia de manejo das garças, buscando melhorar as condições ambientais e a qualidade de vida da população sem recorrer ao abate indiscriminado das aves.
Com informações da Câmara de Formiga







