Uma mulher de 51 anos deixou a carreira de professora de arte após 13 anos de atuação no magistério para trabalhar como abraçadora profissional por apenas três horas diárias. Atualmente, Ella Love pode faturar até 100 mil dólares por ano, o equivalente a cerca de R$ 493 mil na cotação atual, com ganhos mensais superiores a R$ 41 mil.
A ex-professora começou a atuar na área em meio período, mas, após seis meses, decidiu transformar os abraços profissionais em sua principal fonte de renda. Segundo ela, a mudança ocorreu após anos lidando com o estresse da rotina em escolas públicas de Nova York.
Antes da mudança, Love trabalhava pelo menos oito horas por dia como professora e recebia cerca de US$ 80 mil anuais. Ela afirma que a rotina escolar era marcada por turmas grandes, problemas disciplinares, falta de tempo e recursos limitados para materiais didáticos.
“O estresse vinha de turmas grandes, falta de tempo para qualquer coisa, problemas de disciplina, fundos limitados para materiais… é extremamente diferente na América”, relatou ao SWNS.
Em busca de uma atividade mais tranquila, ela investiu US$ 300, cerca de R$ 1.481, em um curso especializado para ingressar na área de abraços profissionais.
“Eu estava procurando algo com uma energia completamente diferente, algo calmante e centralizador. Não estava pensando que isso se tornaria minha carreira”, afirmou.
Após realizar um curso online e testar a atividade em meio período, Love percebeu que havia encontrado uma nova vocação. Em apenas seis meses, tirou um ano sabático e nunca mais retornou às salas de aula.
Atualmente, Ella Love cobra US$ 150 por hora de sessão, aproximadamente R$ 740. Os encontros variam de duração e podem durar de uma hora até nove horas consecutivas.
“Varia muito. Algumas pessoas vêm por uma hora, outras por 90 minutos ou duas horas. Já tive sessões que duraram nove horas”, explicou.
Segundo ela, a média anual de faturamento gira em torno de US$ 60 mil, cerca de R$ 296 mil, mas pode alcançar US$ 100 mil em anos considerados mais fortes financeiramente.
Love afirma que a maioria de seus clientes é formada por homens de meia-idade, com boa condição financeira e, em muitos casos, casados.
“Meu cliente médio é um homem de meia-idade com um emprego bem remunerado, e muitos deles são casados. Eles não querem trair ou deixar suas parceiras, mas não há intimidade”, disse.
De acordo com a profissional, muitos clientes enfrentam distanciamento emocional nos relacionamentos e dificuldades de comunicação.
“Eles vêm até mim porque ainda querem permanecer em seus casamentos. Eles só precisam de toque e alguém para conversar”, afirmou.
Trabalho envolve acolhimento emocional
A profissional destaca que o serviço vai além do simples contato físico. Segundo ela, o toque desperta emoções reprimidas e leva muitos clientes a compartilharem experiências pessoais e sentimentos nunca verbalizados.
“As pessoas pensam que estão apenas pagando por um abraço, mas não é isso que acontece. O toque ativa emoções reprimidas”, explicou.
Love relata que alguns clientes fazem confissões emocionais profundas durante as sessões.
“Isso se torna uma experiência terapêutica muito intensa”, afirmou ao SWNS.
Regras rígidas e limites profissionais
Apesar da natureza íntima do trabalho, Ella Love reforça que o serviço é estritamente platônico e segue regras claras.
“Eu entrevisto todos os meus clientes e nem todos são aceitos. Há um código de conduta e limites muito claros”, explicou.
Ela afirma que aprendeu, com o tempo, a identificar pessoas que procuram o serviço por motivos inadequados.
“Você tem um pressentimento se eles estão nisso pelo motivo errado”, declarou.
A profissional também explicou que, caso algum cliente apresente excitação durante a sessão, o comportamento é tratado de forma natural e profissional.
“Eu digo a eles que é natural, mas você não pode agir sobre isso. Você respira, muda de posição e segue em frente. Isso faz parte do profissionalismo”, disse.
Atendimento inclui pessoas com dificuldades de interação
Entre os clientes atendidos por Love estão pessoas com dificuldades relacionadas à interação física e emocional, incluindo indivíduos no espectro autista.
“Para algumas pessoas, esta é a primeira vez que experimentam toque seguro e consensual. Elas podem ter dificuldade com contato visual ou conexão, e isso lhes dá um espaço para aprender”, afirmou.
Segundo ela, o serviço funciona como um ambiente seguro para o desenvolvimento de confiança e conexão interpessoal.
Estigma e impactos na vida pessoal
Apesar da crescente popularidade do serviço, Love afirma que muitos clientes mantêm as sessões em segredo devido ao estigma social.
“A maioria das pessoas não conta a ninguém que vem me ver. Ainda há um estigma em torno disso, o que é uma pena”, lamentou.
A profissão também impacta sua vida amorosa. Ela admite que o trabalho exige parceiros confiantes para lidar com a natureza emocional e íntima das sessões.
“Felizmente, nos relacionamentos em que estive, eles sabem que é apenas trabalho”, explicou.
Love ressalta que existe uma diferença clara entre as relações profissionais e os vínculos românticos.
“A conexão que tenho com clientes é completamente diferente de um relacionamento romântico. Com meus clientes, é unilateral; estou lá para eles e suas necessidades. Em um relacionamento, é mútuo”, esclareceu.
Para Ella Love, o contato físico representa apenas uma pequena parte do trabalho desenvolvido como abraçadora profissional. Segundo ela, o foco principal das sessões está na intimidade emocional, na vulnerabilidade e na construção de confiança entre cliente e profissional.
“O toque é, na verdade, uma pequena parte disso. O trabalho real é intimidade emocional, vulnerabilidade e confiança. Nem todos precisam de um abraçador profissional, mas todos merecem alguém com quem possam se sentir seguros”, concluiu.
Com informações do O Tempo







