Uma doença antiga volta a preocupar os brasileiros. A Leishmaniose, também conhecida como Calazar, tem tido diversos surtos em algumas regiões do Brasil e afetado animais e seres humanos. O cão é considerado o principal reservatório da doença no meio urbano. A transmissão se dá pela picada do mosquito palha (Lutzomia), já infectado pela Leishmania.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte apontam que, em 2008, foram registrados 161 casos, com 17 óbitos, na capital. Já em 2009, 149 pessoas foram diagnosticadas com a doença, sendo que 33 faleceram em decorrência das complicações. De janeiro de 2008 a junho de 2009, dos 42 óbitos ocorridos na capital, a média de idade era de 46 anos; 74% residiam em BH; 66,7% eram do sexo masculino; 81% tinham co-morbidade e o tempo de início sintomas/internação foi de 14 dias.
O alerta começa a ser dado por meio da Campanha de Conscientização sobre a Leishmaniose, lançada entre médicos, no dia 28 de setembro, pela Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), com o apoio da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG). Além dos profissionais da área da saúde, população também é alvo da mobilização. A grande preocupação dos especialistas é que a doença não tem sazonalidade, ocorrendo de janeiro a dezembro e com incidência relativamente estável nos últimos anos.
De acordo com o presidente da SMI, Carlos Starling, a prevenção se dá combatendo os locais de replicação do mosquito, que se reproduz em matéria orgânica (restos de folhas em decomposição e de alimentos e fezes de animais), ao contrário do mosquito da dengue que se reproduz em água parada.?Dessa forma, deve-se acondicionar lixo orgânico em sacos fechados, não jogar lixo em terrenos baldios, manter o quintal limpo de folhas e fezes de animais e manter limpos a casa do cachorro e o galinheiro?, diz Starling.
Para a infectologista Regina Lunardi, os médicos devem estar atentos para realizar o diagnóstico precoce da doença ? quando as chances de cura são maiores. Ela explica que, muitas vezes, o diagnóstico é feito tardiamente e, nesses casos, o risco de morte aumenta.?A doença pode ser confundida com outras infecções como a esquistossomose, tuberculose e febre tifóide e também com doenças não-infecciosas, como linfoma, leucemias e doenças hepáticas?, conta Lunardi.
Os sintomas da leishmaniose são febre prolongada, geralmente por mais de duas semanas, fraqueza, cansaço, emagrecimento, distensão do abdome, aumento do baço e do fígado, anemia, redução de plaquetas e dos leucócitos e desnutrição. O tratamento pode ser feito com medicamentos injetáveis, todos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Geralmente somente para as formas moderadas e graves da doença, segundo especialistas, é necessária a internação. ?A ideia fundamental é levar os médicos a levantarem a hipótese de Leishmaniose nos casos de febre sem diagnóstico, por um período maior que duas semanas. Da mesma forma, estimular a população a questionar os profissionais sobre essa possibilidade, diante desse quadro de febre prolongada?, reforça Starling.
Além do custo para os cofres públicos, a doença gera também o afastamento das atividades diárias, prejudicando empresa e o trabalhador. Segundo especialistas, a duração do tratamento varia entre cinco e 40 dias, dependendo do medicamento utilizado. A suspeita diagnóstica deve ser feita por médicos de qualquer especialidade, principalmente especialistas em saúde da família, clínicos e pediatras, que são geralmente os responsáveis pelo primeiro atendimento desses pacientes. Casos mais complexos ou de difícil diagnóstico devem ser discutidos com médicos infectologistas.

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