Ciência e Saúde

Brasileiros buscam melatonina, mas médicos reforçam importância da higiene do sono

Foto; Fernando Albuquerque de Pexels

Dormir bem tem se tornado um desafio cada vez maior para muitos brasileiros, o que ajuda a explicar o aumento das buscas pela palavra “melatonina” no Google, conforme dados do Google Trends. Insônia, ansiedade, uso excessivo de telas e rotinas desreguladas estão entre os principais fatores por trás desse interesse, embora médicos alertem que o uso de suplementos não deve substituir hábitos adequados de sono.

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo cérebro, principalmente durante a noite, quando o ambiente está escuro. Sua função é sinalizar ao organismo que chegou o momento de dormir. No entanto, comportamentos comuns atualmente, como o uso de celular na cama e horários irregulares para dormir e acordar, interferem na produção natural do hormônio.

Diante dessas dificuldades, muitas pessoas recorrem ao suplemento como uma solução rápida, nem sempre com bons resultados. Segundo a neurologista e neurofisiologista Natália Longo, a chamada higiene do sono consiste em atitudes simples que ajudam o corpo a descansar melhor. “O sono precisa de rotina. Não adianta tomar melatonina e continuar dormindo tarde, mudando horários ou usando telas antes de deitar”, explica.

A especialista ressalta ainda que a luz emitida por celulares e outros eletrônicos engana o cérebro, fazendo com que ele interprete que ainda é dia. “Isso dificulta pegar no sono e faz a pessoa acordar cansada”, afirma. Medidas como reduzir o uso de eletrônicos à noite, manter o quarto escuro e silencioso e estabelecer horários fixos para dormir e acordar contribuem significativamente para a qualidade do sono.

As dúvidas sobre a melatonina são frequentes e envolvem questões como sua finalidade, possibilidade de dependência e dose correta. De acordo com o Instituto do Sono, o hormônio não atua como um medicamento para induzir o sono de forma imediata. Seu papel é regular o relógio biológico e, por isso, costuma ser indicado em situações específicas, como jet lag, trabalho em turnos ou alterações do sono em pessoas mais velhas.

A psiquiatra Laiane Leite, do Hospital Israelita Albert Einstein, alerta para os riscos do uso sem orientação médica. “Por ser visto como algo natural, muita gente acha que a melatonina não faz mal. Mas o uso inadequado pode causar sonolência durante o dia, dor de cabeça, tontura e até piorar quadros de ansiedade”, destaca.

Outro equívoco comum é acreditar que o suplemento, por si só, resolverá os problemas de sono. Segundo a médica, sem mudanças em hábitos básicos, como evitar cafeína à noite, reduzir o estresse e criar uma rotina regular, o efeito da melatonina tende a ser limitado.

Especialistas reforçam que o primeiro passo para dormir melhor é ajustar a rotina diária. Dormir e acordar sempre no mesmo horário, evitar refeições pesadas à noite, não usar o celular na cama e manter um ambiente confortável já trazem benefícios significativos. Em muitos casos, essas medidas dispensam o uso de suplementos. Quando a melatonina é indicada, o acompanhamento médico é fundamental para definir dose, horário e tempo de uso, além de investigar possíveis causas da insônia, como ansiedade, depressão ou apneia do sono. O aumento das buscas revela o desejo por noites melhores de descanso, mas também evidencia a necessidade de informação correta sobre o tema.

Com informações do metrópoles