O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, nesta segunda-feira (27), Caio Mário Paes de Andrade como o novo presidente da Petrobras. Ele foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em 23 de maio deste ano e assume o cargo em meio a uma crise provocada pela alta dos preços de combustíveis. O placar da votação que aprovou o nome dele foi de sete votos favoráveis e três contrários.

Andrade já tinha função no governo federal antes da indicação à petrolífera. Ele era secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia.

A votação do nome dele foi acelerada pelo pedido de demissão do ex-presidente José Mauro Coelho, na última segunda-feira (20), depois de apenas 67 dias no cargo. Na última semana, ficou à frente da função de forma interina o então diretor da companhia, Fernando Borges.

Na última sexta-feira (24), Andrade teve o nome aprovado pelo Comitê de Elegibilidade da Petrobras como elegível para assumir a presidência da estatal. O grupo reconheceu que ele preenche os requisitos para ser indicado aos cargos de Conselheiro de Administração e Presidente da companhia, que serão deliberadas pelo Conselho de Administração.

O presidente aprovado pelo Conselho foi indicado a Bolsonaro pelo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, que também assumiu a função em maio e é favorável à privatização da empresa. Na Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que Andrade possui requisitos para aumentar a competitividade da estatal.

O líder do governo Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), declarou que os dirigentes indicados, incluindo o novo presidente, receberam ordem do mandatário para mudar a política de preços adotada sobre combustíveis, hoje baseada no mercado internacional.

Saiba quem é Caio Paes de Andrade

Sem ampla experiência no ramo de petróleo, mas com desempenho considerado bom em suas tarefas no governo, Caio Paes de Andrade é considerado uma solução rápida e segura, já que para ingressar no governo ele havia se desligado de empresas e investimentos que poderiam ser questionados pela companhia.

Formado em Comunicação Social, mas com pós-graduação em administração e gestão pela Universidade de Harvard e mestrado em administração de empresas pela Duke University, ele trocou a iniciativa privada pela área pública em 2019, quando assumiu a presidência do Serpro. Em agosto de 2020, passou a ser o responsável pela transformação digital do governo, comandando a Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e governo digital.

Na iniciativa privada, destacou-se ao adquirir, em 1999, um provedor de internet chamado STI, que era o terceiro maior naquele momento em que a internet ainda engatinhava no país. Ao comprar outros 11 provedores de acesso, criou a PSTNet.

Em 2000, fundou a Webforce Ventures, que tornou-se uma das principais holdings de investimento em TI no Brasil. Também foi CEO do HPG, serviço de hospedagens da internet brasileira que foi adquiro pelo iG em 2002.

Desde janeiro de 2021 ele é membro do conselho da Pré-Sal Petróleo (PPSA), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME) e criada em 2013 para fazer gestão dos contratos de partilha de produção, gestão da comercialização de petróleo e gás natural e representar a União em acordos de individualização da produção.

Foi a primeira experiência de Paes de Andrade no setor de petróleo. As regras de governança da companhia apontam a necessidade de uma experiência de dez anos no setor.

Além disso, Caio Paes de Andrade é membro do Conselho de Administração da Embrapa, representando o Ministério da Economia na estatal de pesquisa agropecuária desde outubro de 2020.

Novo presidente da Petrobras já conta com ação contra sua nomeação

Antes mesmo de tomar posse, Caio Paes de Andrade já conta com uma ação da Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) contra sua nomeação. A entidade protocolou uma denúncia no Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para que ele não assuma o cargo.

A Anapetro cita a “ocorrência de eventuais atos lesivos ao patrimônio da Petrobras e aos interesses de seus acionistas” para que Andrade não tome posse, além de destacar que ele não tem experiência e formação necessárias para presidir a companhia.

 

 

Fonte: O Tempo

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