Os casos de febre chikungunya explodiram 979% em Minas Gerais entre janeiro e junho deste ano. Foram mais de 61.700 casos da doença, contra 5.700 registrados no mesmo período de 2022. Os dados são do Painel de Monitoramento das Arboviroses. Especialista avalia que o aumento da população do mosquito Aedes aegypti pode ser a explicação para a disparada dos casos de arboviroses.

O levantamento também aponta uma disparada de 1550% no número de mortes por chikungunya. Ao todo, 33 mineiros morreram pela doença nos primeiros seis meses do ano. Em 2022, dois óbitos foram registrados. Os dados mostram ainda que 14 mortes estão em investigação, e 83.600 foram classificados como prováveis.

Efeitos da doença

Os casos ligam o alerta para os efeitos da doença. O chefe de processos Tiago Stofel, de 38 anos, teve chikungunya em maio. Ele sentiu dores em todo o corpo, sobretudo nos joelhos, febre e calafrios. Três meses depois, ele ainda sofre com dores intensas, que são aliviadas apenas com injeções de corticoide, aplicadas a cada 15 dias, e anti-inflamatório após o efeito do injetável.

“Quando comecei a ter os sintomas, já imaginei que fosse (chikungunya) por causa de relatos de amigos. O médico tirou um raio-x do tórax e disse que eu estava muito gripado, pediu que eu fizesse um teste de Covid, mas que não fiz. Nunca imaginei que a doença tinha tantos efeitos. Sabia que causava dor nas articulações, mas nunca pensei que fosse com tanta intensidade”, lamenta.

Sequelas

As sequelas descritas pelo chefe de processos podem durar meses e até anos. É o que alerta o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, o médico Adelino de Melo Freire Junior. “As populações mais vulneráveis, como imunossuprimidos e idosos, podem ter a forma mais severa levando até mesmo ao óbito. A complicação de longo prazo pode acometer qualquer pessoa, que são dores articulares persistentes ou intermitentes que podem durar anos. Isso ainda gera a preocupação do aumento consumo de medicamentos, como corticoides, anti-inflamatórios e analgésicos.

O infectologista explica que a disparada dos casos está ligada a múltiplos fatores. “A febre é uma doença que está circulando no Brasil há menos de 10 anos. Ela começou no Nordeste, este é o primeiro ano que temos um ciclo mais forte em Minas, então temos uma população mais suscetível. A imunidade para a doença é transitória e pode demorar alguns anos, mas diferentemente da dengue, é possível ter ela novamente”, explica.

Aumento do mosquito

A explosão dos casos também pode estar associada ao aumento da população do Aedes aegypti no Estado. “Fatores naturais como o aquecimento global, anos mais quentes aumentam a proliferação e o tempo de vida dos mosquitos. Estamos tendo um inverno quente neste ano e isso favorece a infestação dos mosquitos”, pontua. Outro fator, segundo o médico, é o aumento da testagem.

“Houve um aumento expressivo na testagem, número maior do que em anos anteriores. Quando testamos conseguimos testar mais pessoas infectadas, isso pode relacionar a mais pessoas doentes ou a maior visibilidade também. Acho que isso é legado da pandemia, essa percepção que precisamos testar as viroses sem pensar que vai passar sem diagnóstico preciso”, pontua.

Fonte: O Tempo

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