O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta quarta-feira (8) que o cessar-fogo com os Estados Unidos foi violado após ataques registrados em território iraniano. O episódio intensifica as tensões na região, já marcada por movimentações militares e ameaças mútuas.
Segundo Pezeshkian, duas ilhas iranianas no Golfo Pérsico — Ilha de Lavan e Ilha de Siri — foram bombardeadas ao longo do dia. Veículos da imprensa estatal já haviam registrado explosões nas localidades. O presidente iraniano não detalhou a origem dos ataques nem responsabilizou oficialmente outro país.
Em contato telefônico com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, Pezeshkian condenou as violações do cessar-fogo e enfatizou a necessidade de respeitar o acordo. Sharif, por sua vez, pediu moderação e alertou que incidentes como esses “minam o espírito do processo de paz”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã aceitou o cessar-fogo como base para encerrar o conflito e reiterou a aposta na via diplomática, mantendo, no entanto, prontidão militar. Araghchi disse em ligação com o chanceler turco, Hakan Fidan, que os Estados Unidos devem escolher entre cessar-fogo ou guerra contínua por meio de Israel.
A Guarda Revolucionária Islâmica advertiu que novos ataques, especialmente no Líbano, poderão gerar uma “resposta lamentável” contra alvos na região.
Do lado norte-americano, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, afirmou que o cessar-fogo é apenas uma pausa temporária, mantendo as forças prontas para retomar operações. O presidente Donald Trump declarou à PBS que o Líbano não está incluído no acordo de cessar-fogo, informação confirmada pelo mediador Shehbaz Sharif.
A exclusão do território libanês provocou divergência, já que autoridades paquistanesas inicialmente indicaram que o cessar-fogo abrangeria todas as frentes do conflito. Israel intensifica ataques no país, alegando combater o grupo Hezbollah. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, mais de 112 pessoas morreram apenas nesta quarta-feira, na maior ofensiva israelense desde o início da guerra.
Diante da escalada, o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica de um quinto do petróleo mundial, e alertou que poderá endurecer sua resposta caso os ataques persistam. Paralelamente, um ataque com drones atingiu o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, afetando a exportação de petróleo. Outros países do Golfo também relataram incidentes com mísseis e drones, aumentando o risco de regionalização do conflito.
O Paquistão reforçou o apelo para que o cessar-fogo seja mantido por pelo menos duas semanas, abrindo espaço para negociações diretas entre Washington e Teerã.
A violação do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos marca uma escalada preocupante na região do Golfo Pérsico, com impactos diretos sobre o Líbano, Israel e as rotas estratégicas de petróleo. Enquanto o Irã mantém postura diplomática, alerta militar e ameaças regionais, os EUA reforçam a prontidão das forças, mantendo a tensão elevada e os riscos de ampliação do conflito.
Com informações do Metrópoles







