Mais de 20 dias após o início da crise que provocou a faxina no Ministério dos Transportes, o diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, entregará hoje sua carta de demissão ao ministro Paulo Sérgio Passos.
A notícia tranquilizou o Palácio do Planalto, que temia que Pagot deixasse o governo atirando contra todos. Com essa demissão, o Dnit fica agora com apenas três de seus sete diretores, todos ligados ao PR. Esses três últimos devem ser substituídos em agosto.
Na sexta-feira, Pagot ainda resistia em deixar o cargo e lembrava ao Planalto sua dedicação e participação como arrecadador de campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Mas, no fim de semana, ele foi acalmado por emissários do governo e finalmente convencido pelo seu padrinho político, o senador Blairo Maggi (PR-MT), de que não tinha mais como ficar no Dnit.
Ontem, após conversar com Pagot, Blairo confirmou que a carta de demissão será entregue hoje. Blairo reconheceu que, independentemente da capacitação técnica, não havia mais condições políticas de Pagot continuar no cargo. E revelou que aconselhou o diretor geral do Dnit a não criar confusão. Setores do PR incentivavam Pagot a fazer ameaças ao governo. Pagot vai entregar a carta nesta segunda (hoje). Falei para ele não ficar preocupado. Política é assim mesmo, afirmou o senador.
No total, 17 dirigentes já foram afastados dos Transportes, do Dnit ou da Valec desde o início dos escândalos no ministério.
Para evitar o seu afastamento, determinado por Dilma assim que surgiram as denúncias de corrupção no Dnit, em 2 de julho, Pagot entrou de férias. Já para facilitar a saída de Pagot, o Planalto obteve antes o pedido de demissão do petista Hideraldo Caron da diretoria de Infraestrutura do Dnit.
Auxiliares de Dilma foram avisados de que Pagot vai sair de cena. O Planalto já tinha identificado que setores do PR estavam estimulando Pagot a sair do governo atirando. Ontem, líderes do partido confirmaram que ele estava insatisfeito com o tratamento recebido. É como se Pagot tivesse virado a Geni. Ele não quer sair do governo como um leproso, disse o deputado Lincoln Portela (PR-MG).

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