A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, de maneira definitiva, o projeto de lei 421/2009, que torna obrigatória a instalação de detectores de metal na entrada das escolas municipais da capital. O texto ainda será enviado para sanção ou veto do Executivo Municipal.
A medida tenta coibir a entrada de armas nos colégios, mas enfrenta resistência de especialistas, que chamam atenção para os transtornos que os equipamentos podem causar e para um chamado excesso das autoridades.
Como o detector será obrigatório nas escolas com mais de 500 alunos, 72 dos 186 colégios municipais da cidade teriam a obrigatoriedade de usar o equipamento. Com um custo estimado em R$ 2.000 por aparelho, apenas para a compra dos detectores, a prefeitura terá que desembolsar R$ 144 mil – há gastos também com a manutenção, que deve ser feita a cada seis meses. Além disso, a prefeitura precisará designar um guarda municipal para cada escola. Eles vão acompanhar a entrada e revistar quem estiver com algum objeto metálico.
O custo para a compra e a manutenção, segundo especialistas, não seria um problema se a medida garantisse de fato a segurança dos alunos. O pesquisador de segurança e criminalidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Michel Messi afirma que a fragilidade do aparelho pode tumultuar a porta das escolas. O aparelho apita com uma tesoura, compasso ou mesmo uma moedinha. É transtorno na certa. E a violência é uma questão social, tem que ser tratada na escola,explicou.
O pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG (Crisp) Robson Sávio alega que a medida não coibe a violência. Episódio de arma nas escolas é um caso isolado. Precisamos é de políticas sociais.
Para a psicopedagoga do centro de psicologia da Newton Paiva Merie Bitar, o detector pode trazer transtornos psicológicos para alunos, professores e funcionários. A violência vai além da detecção da arma. É preciso que se trabalhe a causa dela, ressaltou a especialista.
A pedagoga Luiza Thorres vai mais longe e afirma que a medida pode favorecer a defasagem escolar. As crianças podem entender que o equipamento é algo repressor, o que pode fazer com que eles faltem. Com os alunos fora das salas de aulas, eles podem ficar mais vulneráveis à violência das ruas, destacou.








