Receber agrados de comerciantes, como o famoso cafezinho ou um almoço, é algo tão disseminado na Polícia Militar de Minas Gerais que foi preciso, em abril de 2009, a publicação de uma norma interna pelo comando da corporação recomendando o fim da prática . É um ato imoral. É preciso que o policial pague pelo seu lanche ou qualquer outro tipo de refeição, explica a assessora de comunicação da corporação, tenente Débora Santos.
De acordo com ela, a recomendação não impede nem torna ilegal que o militar aceite a cortesia. Mas o policial deve arcar com as despesas, reforça. A Associação dos Praças Policiais e Bombeiros de Minas (Aspra) também rejeita a prática das cortesias. A orientação é que, caso o comerciante insista em não receber o pagamento, o policial deve procurar outro estabelecimento.
Na quarta-feira (29), a reportagem de O TEMPO percorreu 11 padarias da cidade e ouviu comerciantes que confirmaram que a prática do lanche de graça para os policiais é comum.
Apesar de alguns donos de estabelecimentos comerciais acreditarem que a cortesia pode favorecer o patrulhamento na região, a tenente Débora do Santos esclarece que o monitoramento é realizado a partir de um planejamento prévio nos batalhões. Atendemos às demandas da comunidade e, principalmente, de locais em que a criminalidade é considerada alta. Os trabalhos ocorrem independentemente se o lanche for gratuito ou não, garante.
A assessoria da Polícia Militar disse ainda que, caso algum comerciante se sinta lesado ou obrigado a fornecer o lanche, poderá denunciar à Corregedoria da Polícia Militar. Será instaurado um inquérito para apurar as denúncias, disse Débora.
Caso fique comprovado a prática, o policial flagrado poderá responder por processo administrativo e até mesmo criminal por crime de extorsão. Até o momento, nenhuma denúncia do tipo foi registrada.

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