A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta quarta-feira (18), uma série de requerimentos para aprofundar as investigações sobre o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. Entre as medidas, está o pedido de informações sobre os beneficiários finais de fundos vinculados ao banco e à Reag Investimentos.
O requerimento foi apresentado pelo relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e solicita dados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central, à Receita Federal e à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Segundo o parlamentar, identificar os beneficiários finais é um dos principais desafios no rastreamento de possíveis esquemas de lavagem de dinheiro.
A comissão também aprovou a convocação da empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso. De acordo com os parlamentares, ela teria recebido um imóvel avaliado em R$ 450 milhões, o que pode configurar ocultação de patrimônio.
Outra medida aprovada foi a convocação de dirigentes e sócios da empresa Prime Aviation, além da quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da companhia, apontada como ligada a Vorcaro e utilizada para transporte de aliados em voos particulares.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), autora de parte dos requerimentos, afirmou que a empresa seria peça central em uma rede de companhias utilizadas para lavagem de dinheiro. Segundo ela, a aeronave da empresa teria sido utilizada em atividades de campanha eleitoral em 2022.
Também foi aprovada a convocação do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, que vem denunciando irregularidades em operações de crédito consignado com prejuízos a servidores públicos.
Por outro lado, a maioria da comissão rejeitou, por seis votos a dois, o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, apontado por parlamentares governistas como possível facilitador do esquema. Também foi rejeitada, por seis votos a quatro, a convocação do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto.
Outros requerimentos, como os que previam a quebra de sigilos do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e do ex-ministro da Cidadania João Roma, foram retirados.
A CPI também não contou com o depoimento do ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, afastado do cargo por suspeitas de ligação com o esquema. Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, tornou facultativa a presença, e ele não compareceu à sessão.
Durante a reunião, divergências entre governistas e oposição marcaram os debates. O senador Marco Rogério (PL-RO) criticou os pedidos de quebra de sigilo, classificando-os como fora do escopo da CPI e motivados por disputas políticas.
Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) argumentou que o esquema investigado se desenvolveu durante o governo anterior e que a análise não pode ser dissociada do contexto político e econômico da época.
Com informações da Agência Brasil








