O crédito está mais fácil e, em decorrência disso, a procura por aquisição de imóveis está alta e força uma valorização grandiosa das unidades habitacionais. Por isso, pagar os juros praticados nos financiamentos imobiliários pode não ser um bom negócio.
Segundo o coordenador do MBA em Negócios Imobiliários da FGV/IBS, Pedro Seixas, fazendo um análise a frio, alugar é um negócio melhor do que comprar. Os juros que são pagos hoje em um financiamento imobiliário são muito altos se comparados ao valor pago pelo aluguel de um imóvel residencial, diz.
O economista da Tendências Consultoria, Sílvio Campos Neto, concorda e acrescenta. Hoje, estimular o financiamento imobiliário é uma política de governo. Acredito que, em dois ou três anos, não haverá mais recursos na poupança para esse tipo de empréstimo, diz. Pedro Seixas faz as contas. O valor do aluguel corresponde a cerca de 0,5% do valor do apartamento. É muito fácil conseguir um rendimento acima disso no mercado, que hoje em dia é o que paga a poupança.
É assim que pensa o administrador de empresas Guilherme Baeta. Fiz as contas. O aluguel de um imóvel de R$ 450 mil custa hoje cerca de R$ 1.500. Esse dinheiro investido a 0,7% rende R$ 3.150 ao mês. Dá para pagar o aluguel e ainda ficam R$ 1.650 de troco, que paga todas as despesas do imóvel e ainda sobra, afirma.
Mesmo com o reajuste alto dos aluguéis nos últimos 12 meses, que ultrapassou o valor da inflação, Baeta acredita que continua valendo a pena. Ele deixa o dinheiro que poderia aplicar na compra de um imóvel no banco em uma aplicação que rende mais do que o valor que paga hoje de aluguel em um apartamento no bairro Sion, região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Sílvio Neto explica que os juros para financiamento de um apartamento hoje giram em torno de 10% ao ano. Por isso, se a pessoa possui parte do recurso e vai financiar o resto, a conta tem que ser muito bem feita. Na aplicação, há cobrança de taxa de administração e imposto de renda, o que pode torná-la mais cara.
Especialistas explicam que, no raciocínio dos brasileiros, o aluguel entra como despesa e o financiamento entra como investimento. A meta dos brasileiros é sempre sair do aluguel e o governo incentiva.

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