Dois membros do partido israelense “Força Judaica” (“Otzmah Yehudit”, em hebraico), Benzi Gopstein e Baruch Marzel, não poderão participar das próximas eleições legislativas no país, no dia 17 de setembro. A Suprema Corte de Israel avaliou, nesse domingo (25), que ambos fizeram declarações racistas contra árabes e, por isso, não poderiam concorrer.
“Gopstein apresenta todo o público árabe como um inimigo com o qual não deve ser feito nenhum contato que possa ser interpretado como coexistência”, afirmou Esther Hayut, presidente da corte, segundo o jornal “The Times of Israel”.
Segundo Hayut, as diversas declarações de Gopstein sobre os árabes mostram, de forma inequívoca, que ele “sistematicamente incita o racismo contra o público árabe”.
Gopstein é conhecido como o chefe da organização antiassimilação Lehava, que busca evitar o casamento entre judeus e não-judeus e desencoraja a contratação de palestinos e outros árabes.
Já no caso de Marzel, a corte reconheceu que ele já havia expressado arrependimento por muitos dos comentários que fez contra os árabes. Ao julgar a questão, entretanto, o tribunal entendeu que ele já havia expressado remorso similar quando sua candidatura foi desafiada em 2003 e 2015. Nas ocasiões, foi lhe dada permissão de competir.
“Mas, na prática, ele [Marzel] persistiu em conduta que incitava o racismo”, escreveram os juízes, que decidiram não lhe dar uma terceira chance.
Em 1994, Marzel era um dos “ativistas centrais” do ultranacionalista Partido Kach – que, naquele ano, passou a ser considerado uma organização terrorista por Israel, de onde foi banido, e pelos Estados Unidos, além de outros países. O partido foi liderado pelo rabino americano-israelense Meir Kahane até seu assassinato, em 1990. Marzel era tido como o braço direito do rabino.
Força Judaica
O Força Judaica, partido que tentava lançar as candidaturas de Marzel e Gopstein, é considerado descendente do Kach – defende pressionar “os inimigos de Israel a emigrarem, com o objetivo de conservar o caráter judeu do Estado de Israel”, em referência aos palestinos e árabes israelenses que cometem ataques anti-israelenses.
Também promove a anexação da Cisjordânia, ocupada por Israel, onde vivem mais de 2,5 milhões de palestinos.
Apesar de ter banido as duas candidaturas do partido, o Supremo Tribunal israelense confirmou um terceiro candidato, Itamar Ben-Gvir, que lidera a lista eleitoral do Força Judaica para as eleições de setembro. Ben-Gvir, que é advogado, defende judicialmente israelenses e colonos acusados de violência, inclusive em casos de terrorismo e crimes de ódio, segundo o “Haaretz”.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do partido Likud, foi criticado por negociar a inclusão do Força Judaica na coalizão de partidos de direita.
Fonte: G1||








