Cerca de 2 mil pessoas devem participar do tradicional “Abrace a Serra da Moeda”, neste domingo (21), em Brumadinho, na Grande BH. O protesto reforça a importância da defesa dos recursos hídricos e nascentes da região e cobra de autoridades e empresas a preservação do local. A manifestação ocorre há 17 anos.

A concentração do ato simbólico, organizado pela ONG “Abrace a Serra da Moeda”, está prevista para 10h, na rampa de voo livre, conhecida como Topo do Mundo. Às 12h, será formado um cordão humano no ponto mais alto da serra, simbolizando um abraço.

Neste ano, o projeto abordará a preservação dos lençóis freáticos que abastecem rios e nascentes da região e são colocados em risco pela mineração em Minas.

Presidente da ONG que organiza o projeto desde 2008, o ambientalista Ênio Araújo explica que o Cauê, um dos mananciais subterrâneos de água doce mais importantes de Minas, localizado na Serra da Moeda, vem sendo rebaixado por várias mineradoras.

“Ao efetuarem o rebaixamento, se o nível do aquífero estiver abaixo da altura de onde estão as nascentes, a tendência é que elas sequem, o que já aconteceu com as comunidades de Suzano e Campinho, em Brumadinho. Os moradores desta última, inclusive, recebem, desde 2015, 40 mil litros diários de água, via caminhões-pipa, para abastecerem suas casas”, destaca o ambientalista.

Outra reivindicação é a implantação do plano de manejo do respectivo monumento Natural da Mãe D’Água, criado em 2012 e considerado de grande importância ambiental para o município. Segundo Cleverson Vidigal, membro da ONG, este plano vai orientar o melhor uso de toda a área.

“A informação, segundo nos foi passada pela pasta, é que até o fim do ano ele seja, de fato, colocado em prática. Vamos nos articular e fazer pressão para que isso aconteça”, destaca Cleverson.

Cleverson também pontua que durante o Abrace a Serra da Moeda, os ambientalistas pretendem chamar atenção para que o poder público impeça a reativação de uma mina, que estava desativada há mais de 15 anos. No entanto, em 2018, os direitos da mina foram adquiridos por uma empresa, que desde então, vem fazendo uma série de ações, como adequação de estrada e das pilhas de estéril do local, além do descomissionamento da barragem de rejeito.

Segundo Ronald Fleischer, geólogo da ONG Abrace a Serra da Moeda, o local onde a mina está possui relevância hídrica, espeleológica e ambiental reconhecida por diversos instrumentos de proteção.

A reativação provocaria o rebaixamento do lençol freático e consequentemente o esgotamento da Mãe D’água e de outras nascentes da região. Isso iria afetar diretamente 10 mil famílias das comunidades Córrego Ferreira, Palhano, Recanto da Serra, Águas Claras, Jardins e Retiro do Chalé”, destaca.

 

Fonte: Hoje em Dia

 

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