O universo sempre despertou curiosidade sobre o que existe além da Terra, e nas últimas décadas essa curiosidade aumentou com a descoberta de milhares de mundos fora do Sistema Solar. Mas como os cientistas conseguem identificar planetas tão distantes?
O desafio é enfrentado por astrônomos e astrofísicos que buscam os chamados exoplanetas, planetas que orbitam estrelas além do Sol. Segundo o astrofísico Eder Martioli, do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), os primeiros exoplanetas só foram descobertos em 1995, principalmente devido a limitações tecnológicas da época. Hoje, mais de 6 mil exoplanetas já foram confirmados.
Detectar esses corpos celestes não é simples, já que eles são menores e menos luminosos que as estrelas ao redor e estão a distâncias enormes da Terra. Por isso, em geral, não podem ser observados diretamente.
Como os cientistas encontram exoplanetas
Em vez de enxergar o planeta em si, os pesquisadores analisam sinais indiretos que indicam sua presença. De acordo com o astrônomo Adriano Leonês, da Universidade de Brasília (UnB), os planetas revelam sua existência por efeitos sobre as estrelas que orbitam, como pequenas variações no brilho ou movimentos provocados pela gravidade.
Um dos métodos mais usados é a técnica de trânsito, que monitora o brilho da estrela ao longo do tempo. Quando um planeta passa à frente da estrela, bloqueia parte da luz, causando uma leve diminuição no brilho. A partir desses dados, os cientistas conseguem estimar características como o tamanho do planeta e o período orbital.
Outra técnica mede pequenas variações na velocidade da estrela provocadas pela atração gravitacional do planeta, usando o efeito Doppler, que detecta mudanças na luz emitida pela estrela quando ela se movimenta.
Telescópios e missões espaciais
O avanço dos instrumentos de observação tem sido fundamental para as descobertas. Missões espaciais como os telescópios Kepler e TESS, da Nasa, monitoram milhares de estrelas em busca de sinais de planetas.
Segundo Martioli, quando um possível sinal é detectado, o objeto se torna um candidato a exoplaneta. Em seguida, outros telescópios e pesquisadores confirmam a descoberta, inclusive medindo propriedades com maior precisão. No Brasil, telescópios do Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais, são usados para acompanhar sistemas e estudar características de estrelas e possíveis planetas.
Grandes observatórios internacionais e telescópios espaciais, como o Hubble e o James Webb, também auxiliam nos estudos, inclusive analisando a composição atmosférica desses mundos distantes.
Planetas que podem ser parecidos com a Terra
Após a confirmação, os cientistas investigam se o planeta pode ter condições semelhantes às da Terra. São analisados fatores como tamanho, massa e distância da estrela, incluindo a chamada zona habitável, onde a temperatura permite a existência de água líquida.
Também são observados sinais na atmosfera, como vapor d’água, oxigênio ou metano, que podem indicar processos químicos ou biológicos. Entre os sistemas mais estudados está o TRAPPIST-1, com sete planetas orbitando uma mesma estrela, alguns na zona potencialmente habitável.
Apesar dos avanços, a descoberta de exoplanetas continua sendo um campo em expansão, e novas missões e telescópios devem ampliar o número de planetas identificados e permitir estudos mais detalhados desses sistemas.
Com informações do Metrópoles








