Formiga

Estoque de sangue da Santa Casa está baixo por falta de transporte adequado para doadores

Há pelo menos dez meses, a estrutura montada para levar doadores voluntários de sangue de Formiga até Divinópolis, onde funciona um Núcleo de Doação da Fundação Hemominas, está longe do ideal.
O trabalho é feito por meio de parceria, entre o setor de captação de doadores da Santa Casa de Caridade de Formiga, coordenado pela técnica de enfermagem, Helena Oliveira, responsável por conseguir voluntários para fazerem as doações de sangue. Já o transporte, incluindo veículo, combustível e pagamento das diárias do motorista, é de responsabilidade da Secretaria de Saúde. E é aí que se encontra o problema.
Desde agosto passado, após meses de dificuldades, com um micro-ônibus da secretaria de Cultura, que sempre estava estragado, levando a cancelamentos de viagens em cima da hora, o transporte é feito em um veículo Kombi, também da pasta de Cultura, onde cabem apenas nove pessoas, (sete doadores, a coordenadora do setor de captação, Helena Oliveira e o motorista).
As doações são feitas, uma vez por semana, às sextas-feiras e, hoje, Formiga não consegue levar mais que 28 pessoas/mês.
Com a inauguração dos novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e da Enfermaria de Cuidados Intermediários (ECI) na Santa Casa, aumentou consideravelmente o uso de bolsas de sangue para transfusões.
De acordo com a coordenadora do Setor de Captação, no mês de abril, foram enviadas pelo Hemominas, 91 bolsas de sangue para a Santa Casa. Dentro do convênio entre a Fundação e a entidade, para cada bolsa de sangue com tipagem positiva que vem, duas pessoas devem doar sangue em Divinópolis, e se a tipagem for negativa (mais rara), três pessoas de Formiga devem ir ao Hemominas.
Conclusão: somente no mês passado, deveriam ter ido ao Hemominas, pelo menos, 182 pessoas, isso se todas as bolsas fossem de tipagem positiva, o que é impossível, um déficit de 154 doações. ?Mesmo com uma triagem prévia que fazemos aqui, há um segundo problema, muitas pessoas saem de Formiga, mas não passam na triagem médica do Hemominas, que é bem criteriosa. Com isso, é uma bolsa a menos de sangue, isso sempre acontece, mas hoje, cada bolsa que se perde é um grande problema?, explica Helena.
A técnica em enfermagem disse ainda que, atualmente, a Fundação não consegue mandar o número de bolsas requeridas para Formiga, justamente por causa do déficit e por atender dezenas de cidades do Centro-Oeste de Minas.
Doadores passam mal
Há ainda um terceiro problema, a desistência de doadores pela falta de conforto e segurança do veículo. ?A Kombi é conhecida por não ser muito segura, desde janeiro a Prefeitura disponibiliza um veículo mais novo, inclusive com todos os cintos de segurança em ordem. Porém, a Kombi é apertada e como não há janelas na parte de trás, pessoas passam mal, porque a queda de pressão é normal, após a doação, e sem ventilação, isso piora. Já tivemos que parar várias vezes na estrada para socorrer doadores que passaram mal?, contou a técnica em enfermagem.
A frente do setor de captação de doadores desde novembro de 2008, Helena Oliveira diz que essa é a pior fase do seu trabalho. ?Antes o micro-ônibus tinha 24 lugares, eram quase cem doadores por mês. Hoje, nem me empenho nas campanhas periódicas da Hemominas. Não posso estimular novos doadores, não tenho como leva-los e isso é desanimador, porque esse é o meu trabalho?, ressaltou Helena, que já cientificou o médico responsável pelo estoque de bolsas, Eduardo Câmara, que também já entrou em contato com o provedor da Santa Casa, Geraldo Couto que prometeu buscar soluções.
Na Secretaria de Saúde
O secretário de Saúde, Rafael Alves Tomé, disse estar ciente do problema e que há projetos para melhorar essa situação, porém, o orçamento que receberam da gestão anterior não possibilita investimentos. O período é de contenção de despesas. ?Estamos fazendo malabarismos para gerir áreas mais urgentes?.
Rafael Tomé comentou ainda que o provedor da Santa Casa já entrou em contato para buscar apoio e que, na reunião que ocorrerá entre os nove municípios da microrregião de Formiga, será enviada, por meio de ofício, a proposta para que essas cidades, que como outras fazem uso dos serviços da Santa Casa, apoiem as doações de sangue, seja enviando voluntários, ou possibilitando o transporte ou motorista. ?Afinal eles são beneficiados pela estrutura da Santa Casa e também pelo PAM, mantido pela Prefeitura. Nada mais justo que colaborarem para manter o estoque de sangue da cidade?, disse.
O secretário deixou claro que todo o processo de busca por melhorias no setor está sendo feito em uma parceria entre Secretaria de Saúde e Santa Casa, sendo que o provedor, Geraldo Couto foi convidado a comparecer na reunião da microrregião para expor o problema e buscar soluções.