Um estudo conduzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que alimentos ultraprocessados ainda são amplamente associados à ideia de uma infância feliz e a melhorias nas condições de vida. A pesquisa analisou hábitos alimentares em comunidades urbanas de diferentes regiões do país e identificou fatores culturais, sociais e econômicos que influenciam a alimentação na primeira infância.
Consumo frequente e percepção positiva
O levantamento ouviu cerca de 700 pessoas em bairros das cidades do Rio de Janeiro, Recife e Belém. Apesar da preocupação declarada de pais e responsáveis com a saúde das crianças, os ultraprocessados seguem presentes na rotina alimentar.
Segundo o estudo, publicado em março, esses produtos são frequentemente associados à praticidade, ao prazer e até a conquistas sociais. Em determinados contextos, oferecer alimentos industrializados pode ser interpretado como sinal de acesso a itens antes considerados inacessíveis.
Os dados mostram que metade das crianças consumiu algum tipo de ultraprocessado no dia anterior à entrevista. Esse consumo ocorre principalmente nos lanches intermediários, superando refeições como café da manhã, almoço e jantar.
Dificuldade na compreensão de rótulos
A pesquisa também identificou obstáculos na interpretação das informações nutricionais presentes nas embalagens. Mais da metade dos entrevistados (55%) afirmou não ter o hábito de ler os rótulos dos produtos, mesmo quando há alertas sobre altos níveis de açúcar, gordura ou sódio.
Entre aqueles que observam as embalagens, a compreensão nem sempre é adequada. Em alguns casos, símbolos de advertência são interpretados de forma equivocada, o que reduz a efetividade da rotulagem nutricional frontal adotada no Brasil nos últimos anos.
Percepções equivocadas sobre alimentos
O estudo aponta ainda que determinados produtos são considerados saudáveis por parte da população, apesar de serem classificados como ultraprocessados. Entre os entrevistados, 52% avaliaram o iogurte com sabor como uma opção saudável, enquanto 49% tiveram a mesma percepção sobre nuggets preparados na air fryer.
De acordo com os pesquisadores, a forma como esses alimentos são apresentados contribui para essa interpretação. Embalagens atrativas, uso de personagens e mensagens que destacam vitaminas ou benefícios nutricionais ajudam a construir uma imagem positiva desses produtos.
Propostas e recomendações
Diante do cenário, o estudo defende a ampliação de ações de educação alimentar e sugere a discussão sobre restrições à venda e à publicidade de ultraprocessados em ambientes escolares. A proposta é fortalecer o conhecimento das famílias sobre alimentação saudável desde a infância e reduzir o consumo precoce desses alimentos.
Os resultados indicam que, apesar do aumento da conscientização sobre saúde, fatores culturais e de comunicação ainda influenciam significativamente o consumo de ultraprocessados. A adoção de medidas educativas e regulatórias pode ser essencial para promover hábitos alimentares mais saudáveis desde os primeiros anos de vida.
Com informações do Metrópoles







