Sete em cada dez pacientes com fibromialgia no país jamais haviam ouvido falar da doença até o momento do diagnóstico. O desconhecimento acerca da enfermidade é também a principal razão para o diagnóstico tardio no país, o qual demora em média 4,7 anos para ser obtido e, mesmo assim, após o doente passar por pelo menos sete médicos.
Essa é a conclusão a que chegou a pesquisa Fibromialgia: Além da Dor, feita pela indústria farmacêutica Pfizer com 904 médicos em pacientes no Brasil, México e Venezuela. Os dados são ainda mais preocupantes se considerarmos que a doença não tem cura, é caracterizada por uma dor crônica que torna proibitivo o mais simples carinho, incapacita a maioria dos pacientes para o trabalho e acomete 2,5% da população brasileira – cerca de 4,74 milhões de pessoas, das quais entre 80% e 90% são mulheres.
É uma doença de diagnóstico difícil, que acontece apenas na clínica, na conversa com o médico, a consulta deve ser demorada. Não há exames que a comprovem. Por isso, há certo preconceito entre os próprios médicos, explicou o reumatologista Eduardo Paiva, professor da Universidade Federal do Paraná, ao apresentar o estudo, na última semana, em São Paulo.
Paiva informa que, na fibromialgia, a sensação dolorosa é amplificada pelo cérebro e pela medula espinhal. O paciente não é frágil, é sensível. E, quando chega ao consultório falando que é muito forte e resistente à dor, é quase certo que o diagnóstico será de fibromialgia porque ele já está lidando com esse desconforto há mais tempo, comenta.
Há quem acredite que tem de conviver com a dor. Isso é errado, a pessoa tem de aprender a lidar com ela, tratar os sintomas. Caso o paciente tenha uma dor que não passa durante três meses, deve procurar o médico, diz.
O reumatologista conta que, apesar de haver uma predisposição genética, há fatores de risco que levam ao surgimento da doença, como abusos sexuais e físicos na infância. Mas o pior deles, diz Paiva, é o sedentarismo.
Tratamento- Exercícios são fundamentais
Segundo o médico reumatologista, Eduardo Paiva, a fibromialgia não tem causa conhecida nem cura. E, como não há uma inflamação a ser tratada, os anti-inflamatórios comuns não são eficazes.
O tratamento, nesse caso, é feito com medicamentos de ação neuropática, como a pregabalina, associados a uma atividade aeróbica acompanhada.
Não há cura e nenhuma medicação vai tirar 100% da dor. Mas o remédio vai permitir ao paciente retomar uma rotina de exercícios físicos, o que é fundamental, explica o professor, lembrando que muitas pessoas acometidas pela doença têm como reação natural o medo de fazer qualquer tipo de ginástica.
Essa retomada das atividades deve ser gradativa, mas constante, com alguma atividade que mexa com todo o corpo e séries de alongamentos musculares. Isso sempre traz um impacto positivo, diz Paiva, para quem essa também é a melhor prevenção.

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