A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) instaurou um inquérito para investigar uma mulher de 32 anos, suspeita de abandonar a própria mãe, de 61 anos, por dias em um motel em Águas Claras, no Distrito Federal.
Segundo informações apuradas pela coluna Na Mira, a suspeita também teria utilizado em drogas o dinheiro obtido com a venda de um apartamento onde as duas moravam.
A vítima é uma servidora aposentada da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Em 2020, ela sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e, desde então, passou a depender integralmente de cuidados médicos e de terceiros para alimentação e higiene.
Após o AVC, a mulher passou a viver em uma casa de repouso, onde recebia os cuidados necessários. No entanto, a filha teria insistido para que ela retornasse ao apartamento da família, afirmando que assumiria os cuidados da mãe.
O imóvel teria sido herdado pela filha, enquanto a vítima permanecia na condição de moradora.
Testemunhas relataram que, após o retorno da servidora à residência, a situação teria se agravado. Conforme os relatos, a investigada seria usuária de drogas, especialmente crack, e não estaria prestando os cuidados necessários à mãe.
Em março deste ano, amigas da vítima procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para denunciar que a mulher estaria sendo submetida a condições degradantes de higiene e insalubridade no imóvel.
Segundo o relato, em uma das situações, a vítima teria sido encontrada trancada dentro do apartamento, sem acesso a alimentos ou água, aparentemente abandonada e sem assistência.
A denúncia também aponta que a filha teria se apropriado do cartão bancário da mãe e realizado diversos saques e transferências bancárias. Os valores teriam sido enviados inclusive para contas de terceiros e para a própria conta da investigada, utilizando praticamente todo o benefício mensal da vítima.
Em abril deste ano, a Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada depois que a servidora aposentada foi encontrada em situação de abandono e maus-tratos em um motel de Águas Claras.
De acordo com as informações do caso, a investigada entrou no estabelecimento acompanhada da mãe e pagou R$ 500 para que permanecessem no local por alguns dias.
A vítima estava em um quarto havia dois dias, sem alimentação e hidratação adequadas. Segundo o relato, a filha deixou a mulher no local e foi embora sem informar seu paradeiro.
Aos policiais, a servidora afirmou que a filha mais velha teria vendido o apartamento onde moravam por R$ 95 mil. Ela também disse suspeitar que a filha a teria deixado sozinha no motel para gastar o dinheiro da venda do imóvel com drogas.
Funcionários do motel relataram ter ouvido gritos de socorro vindos do quarto onde a vítima estava. Diante da situação, a gerente utilizou uma chave reserva para entrar no cômodo.
A equipe prestou os primeiros cuidados à mulher, oferecendo água e alimentação.
Os policiais também constataram que a filha havia deixado seus pertences no estabelecimento, incluindo o aparelho celular, e saído sem informar para onde iria.
Após o abandono, a vítima passou a morar com uma cuidadora em outro imóvel alugado.
O caso é investigado pela Decrin, que instaurou o inquérito para apurar as circunstâncias envolvendo o abandono, as condições em que a vítima teria sido mantida e as suspeitas relacionadas à movimentação de seus recursos financeiros.
Com informações do Metópoles






