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Formação médica no Brasil tem qualidade considerada preocupante, aponta estudo

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A qualidade da formação médica no Brasil é motivo de preocupação, segundo novo informe técnico do estudo Demografia Médica no Brasil. A análise, baseada no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025, aponta que 30,6% dos cursos de medicina avaliados tiveram desempenho considerado insuficiente.

O levantamento analisou 39.256 recém-formados de 350 faculdades em todo o país. O estudo foi conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com apoio da Associação Médica Brasileira (AMB).

De acordo com a pesquisa, a expansão acelerada de vagas, a menor concorrência no ingresso e a estrutura inadequada das instituições estão diretamente relacionadas aos piores resultados. Ao todo, 107 cursos foram classificados como insuficientes, enquanto 243 apresentaram desempenho suficiente.

Nos últimos dez anos, o número de cursos de medicina quase dobrou no Brasil, passando de 252 para 494. Esse crescimento foi impulsionado pela Lei Mais Médicos de 2013, mas trouxe desafios para a manutenção da qualidade do ensino.

A AMB avalia que os dados reforçam a necessidade de revisão dos critérios de abertura e supervisão das escolas médicas no país. Segundo o diretor científico da entidade, José Eduardo Dolci, a expansão não foi acompanhada, em muitos casos, por condições adequadas de ensino.

O estudo também identificou uma diferença significativa entre instituições públicas e privadas:

  • Cursos públicos: 4,2% com desempenho insuficiente
  • Cursos privados: 44,2% com desempenho insuficiente

A entidade ressalta que o problema não é ideológico, mas técnico, defendendo padrões rigorosos de qualidade para todas as instituições.

A pesquisa aponta relação direta entre concorrência no vestibular e desempenho dos cursos. Instituições com menor relação candidato por vaga tendem a apresentar piores resultados.

Outro fator relevante é a proporção de alunos por professor. Em cursos com bom desempenho, a média é de 5,6 alunos por docente, enquanto nas instituições com avaliação insuficiente esse número chega a 10 alunos por professor.

O tempo de funcionamento também influencia: cursos com menos de 10 anos têm mais que o dobro de chance de apresentar resultados ruins, segundo o estudo.

O presidente da AMB, César Eduardo Fernandes, destaca que a formação médica exige estrutura consolidada, corpo docente qualificado e maturidade institucional.

O informe também evidencia disparidades regionais no desempenho dos cursos:

  • Norte: 46,7% insuficientes
  • Centro-Oeste: 40%
  • Sudeste: 31,9%
  • Nordeste: 30,2%
  • Sul: 13,8%

Cursos localizados em municípios com menos de 300 mil habitantes também apresentaram maior proporção de desempenho insuficiente.

O estudo destaca que o Enamed representa um avanço na avaliação da formação médica, mas ressalta que a análise precisa ser ampliada, incluindo infraestrutura e qualificação docente. Em meio ao debate sobre a criação de um exame de proficiência para médicos no Congresso Nacional, a AMB defende maior rigor regulatório e políticas públicas para enfrentar os problemas identificados.

Com informações do Estado de Minas