Um funcionário do governo dos Estados Unidos que atuava no Brasil deixou o país por determinação do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). A saída ocorre em meio a uma crise diplomática entre os dois países, marcada por medidas de reciprocidade após a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho pelos norte-americanos.
Segundo o Itamaraty, o norte-americano Michel Myers deixou o Brasil na quarta-feira (22). A decisão faz parte de uma resposta diplomática do governo brasileiro após a expulsão de um agente nacional pelos Estados Unidos.
Myers atuava junto à Polícia Federal desde 2024, participando do intercâmbio de informações entre os dois países dentro de um acordo de cooperação bilateral.
O estopim da crise foi a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho pelos Estados Unidos. Ele atuava como oficial de ligação no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE).
A decisão americana ocorreu após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. O governo dos EUA acusou o delegado brasileiro de “manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos de extradição”.
A crise diplomática também está relacionada à detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, ocorrida na semana passada.
Considerado foragido pela Justiça brasileira, ele era alvo de pedido de extradição. A Polícia Federal afirma que a prisão ocorreu com base na cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Já as autoridades norte-americanas sustentam que a abordagem foi motivada por verificação do status migratório.
Ramagem foi liberado dois dias depois, sem aviso prévio às autoridades brasileiras. Segundo os EUA, ele poderá permanecer no país enquanto aguarda análise de seu pedido de asilo.
O Itamaraty criticou, na quarta-feira (22), a decisão do governo norte-americano de expulsar o delegado brasileiro, afirmando que a medida não seguiu “boa prática diplomática” nem respeitou regras de cooperação internacional.
Em nota, o ministério destacou que o agente brasileiro atuava com base em um memorando bilateral. Diante disso, o Brasil decidiu aplicar o princípio da reciprocidade, interrompendo imediatamente as atividades de um agente norte-americano em função semelhante no território brasileiro.
A medida foi interpretada pelo governo brasileiro como quebra de confiança na cooperação bilateral, intensificando a tensão diplomática entre os países.
Com a saída de Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos, a delegada Tatiana Alves Torres foi designada para assumir a função na Flórida, mantendo a representação brasileira no país.
O episódio evidencia o agravamento das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, marcado por acusações mútuas, divergências sobre procedimentos migratórios e aplicação do princípio de reciprocidade. O caso envolvendo Alexandre Ramagem acabou se tornando o centro de uma crise que agora impacta diretamente a cooperação entre as autoridades dos dois países.
Com informações do Metrópoles







