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Gelo de Marte pode abrigar micróbios antigos, indica estudo

Foto: Freepik/Imagem ilustrativa

Pesquisas recentes indicam que o gelo de Marte pode ser um local promissor para encontrar microrganismos antigos ou vestígios deles, preservados por pelo menos 50 milhões de anos, mesmo sob a radiação cósmica intensa do planeta. Até agora, missões espaciais concentravam suas buscas em rochas, argila e solo marciano.

Segundo os cientistas, descobrir microrganismos em Marte ajudaria a compreender a formação do Sistema Solar e a evolução da vida no Universo. “Cinquenta milhões de anos é muito mais do que a idade esperada para alguns depósitos de gelo na superfície de Marte, que geralmente têm menos de dois milhões de anos, apontando que qualquer vida orgânica presente seria preservada. Se houver bactérias perto da superfície, missões futuras poderão encontrá-las”, afirma Christopher House, um dos autores do estudo.

A pesquisa foi liderada pelo cientista espacial Alexander Pavlov, da Nasa, em parceria com a Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista Astrobiology em setembro.

Simulação do gelo marciano

No estudo, os pesquisadores selaram bactérias de Escherichia coli em tubos de ensaio com dois tipos de compostos: apenas água pura ou água misturada a rochas à base de argila, comuns em sedimentos marcianos. Todas as amostras foram congeladas a cerca de -50ºC, temperatura semelhante às regiões geladas de Marte, e expostas a uma simulação de 50 milhões de anos de radiação cósmica.

Os resultados mostraram que 10% dos aminoácidos presentes nas amostras com água pura sobreviveram à exposição. Já as amostras com água e sedimentos foram decompostas dez vezes mais rápido e não resistiram à radiação. Segundo os cientistas, a presença de sedimentos cria uma película fina que facilita a entrada da radiação, enquanto no gelo puro as partículas nocivas ficam congeladas e não afetam os aminoácidos.

“Foi surpreendente descobrir que materiais orgânicos em gelo puro são destruídos mais lentamente do que em amostras contendo solo. Esses resultados sugerem que regiões dominadas por gelo são ideais para procurar material biológico recente em Marte”, afirma Pavlov.

Simulações realizadas em temperaturas semelhantes às de Júpiter e Saturno, mais frias que Marte, mostraram deterioração ainda menor dos compostos orgânicos.

Implicações para futuras missões

Caso as missões espaciais mudem o foco para o gelo, será necessário desenvolver equipamentos especializados. “Há muito gelo em Marte, mas a maior parte está logo abaixo da superfície. Missões futuras precisarão de brocas grandes ou pás potentes para acessá-lo”, alerta House.

Com informações do Metrópoles