Formiga

Gestantes que fazem pré-natal pelo SUS precisam arcar com gastos com ultrassom

O problema não é recente. Há pelo menos um mês e meio, grávidas que precisam fazer ultrassom pela Secretaria Municipal de Saúde estão sendo avisadas que o aparelho está quebrado e que a solução é arcarem elas mesmas com o gasto que é de R$180, em média.
Estranhamente, questionada sobre o problema, a administração emitiu no início da tarde de quinta-feira (24) a seguinte nota: ?Quanto ao ultrassom, ele não está estragado. O médico responsável é que está fazendo um curso fora do município; na semana que vem, ele já estará de volta?. Sem informar sequer há quanto tempo o profissional está afastado das funções.
Essa semana chegou à redação, a história de duas gestantes, ambas grávidas do primeiro filho, que precisaram pagar pelos ultrassons, mesmo tendo o direito a fazê-los gratuitamente.
Em um dos casos, por indicação médica, a jovem tentou marcar o ultrassom, após completar oito semanas de gestação, mas foi informada sobre a quebra do aparelho e aconselhada a pagar pelo exame. Desempregada, ela precisou fazer uma ?vaquinha? e contar com a boa vontade de amigos que, ao fim, conseguiram arrecadar o valor.
No segundo caso, o ultrassom das oito semanas, quando se pode ouvir pela primeira vez o coração da criança, foi feito na quinta-feira (17) e mais uma vez foi pago. ?Assim que tentamos marcar o exame veio a notícia de que o aparelho estava quebrado. Em uma segunda tentativa, disseram que o médico que estava doente, mas não deram nenhuma alternativa. Recorremos à Câmara de vereadores, na área de assistência social, e lá nos avisaram que sabiam do problema da Secretaria de Saúde e garantiram que se fôssemos até determinado centro diagnóstico de imagens, pagaríamos R$135 e não R$180. Não era muito, mas ajudava. No dia do exame, pouco tempo antes da minha esposa entrar para fazer o ultrassom, fomos informados que no caso de ultrassom endovaginal não receberíamos nenhum desconto. Fiquei chateado com a situação, mas ouvir o coração do meu filho me fez esquecer isso?, contou o pai que já foi avisado que o próximo exame, este no valor de R$250, também deverá ser pago por ele e pela esposa.
Se as gestantes estão sendo mal orientadas sobre o problema que não é causado por defeito no equipamento, mas pelo afastamento das funções do (único) profissional responsável que está fazendo curso (que já dura mais de um mês e meio, e, portanto é bem longo) de fato, o direito à realização dos exames de ultrassom durante a gravidez está sendo negado à essas mulheres, muitas delas, sem condições de arcar com esses gastos. Mesmo questionada sobre o direito ao ressarcimento ou encaminhamento das grávidas para outros locais, ou até mesmo para outras cidades, a Prefeitura continua enviando notas vagas, que apresentam o problema, mas nunca indicam uma solução, no máximo um aviso de que na semana que vem o profissional estará de volta.