Política

Guerra contra o Irã é desnecessária e baseada em mentira, diz Lula

Foto: © Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nessa quarta-feira (1º) a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, classificando o conflito como “desnecessário”. Durante entrevista à TV Cidade, em Fortaleza, Lula afirmou que a justificativa de que o país persa estaria desenvolvendo armas nucleares é “mentirosa”.

Segundo o presidente, sua avaliação se baseia em experiência direta, ao lembrar de sua visita ao Irã em 2010, quando buscou um acordo internacional para o uso pacífico de urânio.

Lula relembrou que, no último ano de seu segundo mandato, participou da construção de um acordo com o Irã para o enriquecimento de urânio com fins exclusivamente energéticos, nos mesmos moldes adotados pelo Brasil. O entendimento, no entanto, não foi aceito pelos Estados Unidos nem pela União Europeia, à época sob o governo de Barack Obama.

O presidente brasileiro também afirmou que não há evidências da existência de armas nucleares no país e criticou a escalada do conflito. Ele destacou ainda que o Irã possui uma população de quase 100 milhões de habitantes e uma cultura milenar, ressaltando que divergências políticas não deveriam resultar em guerra.

Além da política internacional, Lula voltou a demonstrar preocupação com o aumento do preço do óleo diesel no Brasil. O país depende da importação de cerca de 30% do combustível consumido, o que o torna vulnerável às oscilações do mercado internacional.

O presidente afirmou que o governo está monitorando possíveis aumentos abusivos, com atuação da Polícia Federal e dos Procons estaduais. Segundo ele, há determinação para intensificar a fiscalização em postos de combustíveis e ao longo das estradas.

Lula também criticou o fato de reduções de preços promovidas pela Petrobras não chegarem ao consumidor final, mencionando a privatização da BR Distribuidora como um fator que dificulta o controle direto sobre os preços.

O governo federal pretende publicar uma medida provisória para subsidiar o diesel importado, com desconto estimado de R$ 1,20 por litro. A proposta foi confirmada pelo ministro Dario Durigan.

O custo total da medida é estimado em R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, com divisão igual entre União e estados. De acordo com o Ministério da Fazenda, cerca de 80% dos estados já sinalizaram adesão à proposta, que busca conter a alta dos combustíveis e evitar desabastecimento.

Os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, sem perspectiva concreta de cessar-fogo. Entre as vítimas estão autoridades importantes do país, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.

O conflito provocou ainda o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% dos carregamentos de petróleo do mundo. Como consequência, o preço do barril já registrou aumento de aproximadamente 50%, elevando preocupações econômicas, ambientais e climáticas.

As declarações de Lula reforçam a crítica do governo brasileiro à escalada do conflito internacional, ao mesmo tempo em que evidenciam preocupações internas com os impactos econômicos, especialmente no setor de combustíveis. O cenário combina tensões geopolíticas e desafios domésticos, com medidas emergenciais em discussão para mitigar os efeitos da crise.

Com informações da Agência Brasil