Policial

Hacker suspeito de invadir o CNJ teria forjado a própria morte para evitar prisão

Foto: Sejusp / Divulgação – O TEMPO

Ricardo Lopes de Araújo, de 32 anos, apontado como hacker do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e investigado por envolvimento em um esquema de emissão de falsos alvarás de soltura, é suspeito de ter forjado a própria morte no ambiente digital do Judiciário. Conhecido no meio criminoso como “Dom”, ele teria utilizado credenciais oficiais para fraudar registros e impedir a expedição de novos mandados de prisão.

Segundo as investigações, Ricardo usou acessos do Judiciário para realizar o ataque ao sistema do CNJ e obter um documento que o declarava morto. A estratégia teria como objetivo inviabilizar novas ordens de prisão contra ele. O suspeito havia sido preso em 10 de dezembro, durante uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) voltada ao combate a hackers que atuam contra o sistema da Justiça, mas permaneceu detido por menos de duas semanas.

Para deixar o presídio, Dom teria recorrido ao mesmo tipo de crime que motivou sua prisão: a invasão ao sistema do CNJ. Dessa vez, ele teria emitido um mandado de soltura em seu próprio nome. As autoridades apontam Ricardo como líder de uma organização criminosa responsável pela liberação irregular de, até o momento, outros três presos por meio de habeas corpus fraudados.

O chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), delegado Álvaro Huertas, afirmou que o falso registro de óbito dificulta significativamente o trabalho policial. “Com isso, seria impossível emitir uma ordem de prisão contra ele”, explicou durante coletiva realizada no início do mês.

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), também criticou a vulnerabilidade do sistema do CNJ diante da atuação dos hackers. “Ele [o ‘Dom’] está com um outro mandado baixado como se estivesse morto no sistema do conselho. Ou seja, o sistema está claramente invadido e vulnerável, e com o uso de credenciais do próprio Judiciário. O Judiciário precisa se proteger em relação a isso, o CNJ tem de reagir”, declarou.

A reportagem procurou o Conselho Nacional de Justiça para obter um posicionamento sobre o caso e aguarda retorno.

Além de Ricardo Lopes de Araújo, seguem foragidos Wanderson Henrique Lucena Salomão e Nikolas Henrique de Paiva Silva. O quarto envolvido, Júnio Cezar Souza Silva, foi recapturado na noite de segunda-feira (22), após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) identificar a fraude e expedir novos mandados de prisão. Em nota, o TJMG informou que as ordens fraudulentas foram detectadas em menos de 24 horas e canceladas, destacando que não serão medidos esforços para a recaptura dos foragidos. Já a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) instaurou procedimentos administrativos e criminais para apurar o caso.

Com informações do Jornal O TEMPO