A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã já provoca impactos diretos no cotidiano europeu, com aumento dos preços de combustíveis, escassez de energia e riscos de abastecimento. Países da União Europeia (UE) adotam medidas emergenciais, que vão desde restrições de fornecimento a apelos para economizar energia, à medida que os efeitos do conflito no Oriente Médio se intensificam.
Na Grécia, o governo anunciou subsídios temporários para combustíveis, focados em famílias de baixa e média renda. Na Itália, aeroportos do Norte, incluindo Milão, limitaram o fornecimento de querosene de aviação. Já a França mobilizou caminhões-tanque para normalizar estoques nos postos após corridas para abastecimento antes do feriado da Páscoa.
O conflito já provoca impactos globais: os preços de petróleo e gás aumentaram cerca de 70% desde o início dos ataques aéreos dos EUA e Israel ao Irã, no fim de fevereiro. Em retaliação, o Irã disparou mísseis e drones contra países do Golfo e bloqueou o Estreito de Ormuz, passagem de 20% do petróleo mundial.
Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, os primeiros dez dias do conflito geraram gastos adicionais de cerca de 3 bilhões de euros para a importação de combustíveis fósseis. Relatórios apontam que uma nova alta nos preços do gás natural poderia gerar impacto de 100 bilhões de euros no próximo ano.
Apesar de a Europa depender menos do Estreito de Ormuz que a Ásia, a redução do volume de suprimentos e a competição internacional por GNL (gás natural liquefeito) elevam o risco de escassez, principalmente se países asiáticos superarem o bloco europeu na disputa pelo insumo.
Nos últimos anos, a UE diversificou o abastecimento energético, reduzindo dependência da Rússia e aumentando importações dos EUA e Noruega. No entanto, especialistas alertam que o redirecionamento de carregamentos para a Ásia e a eliminação gradual do GNL russo até 2027 podem agravar a situação.
A discussão sobre normalizar relações com a Rússia surgiu durante a cúpula de março, mas foi descartada pelo chefe de energia do bloco, Dan Jorgensen. Em vez disso, especialistas sugerem implementar subsídios industriais, reduzir impostos sobre eletricidade e incentivar energias renováveis, evitando tetos de preços que poderiam desestimular a eficiência e os investimentos em energia limpa.
Analistas indicam que a crise pode acelerar a transição para fontes limpas. Medidas propostas incluem redução de aquecimento em prédios públicos, limitação de viagens de autoridades e investimentos em tecnologias verdes, como bombas de calor e veículos elétricos. O relatório do think tank Bruegel destaca a necessidade de coordenar estratégias entre os países da UE, protegendo consumidores e setores industriais, como fertilizantes, siderurgia e cimento, que dependem de energia acessível.
Exemplos de sucesso incluem a Espanha, que estabilizou preços investindo em energia solar e eólica, e a Itália, altamente dependente do gás, que enfrentou aumentos significativos após interrupções no fornecimento do Catar, agravadas por ataques ao complexo de Ras Laffan.
Especialistas alertam que a crise energética decorrente do conflito no Irã não será breve e pode durar meses ou anos, considerando danos à infraestrutura regional. A União Europeia, portanto, encara o desafio de equilibrar medidas emergenciais com investimentos em energias limpas, buscando reduzir vulnerabilidades e aumentar a resiliência de seu sistema energético.
Com informações do Terra







