Economia

Lula defende exploração na Margem Equatorial com responsabilidade ambiental

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nessa segunda-feira (18), a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial. Durante visita à Refinaria de Paulínia (Replan), no interior de São Paulo, Lula afirmou que a atividade deve ser conduzida com responsabilidade para evitar impactos ambientais.

Segundo o presidente, o governo federal tem compromisso com a preservação da Amazônia e considera a exploração estratégica para o país. Lula também relacionou o tema à soberania nacional, afirmando que o Brasil precisa ocupar e explorar a região para evitar interesses externos sobre a área.

“Daqui a pouco o Trump acha que é dele e vai lá. Ele achou que o Canadá era dele, ele achou que a Groenlândia era dele. Ele achou que o Golfo do México era dele. Quem garante que ele não vá dizer que a Margem Equatorial é dele também?”, declarou o presidente.

Lula afirmou ainda que os recursos provenientes da exploração poderão ser utilizados para garantir investimentos e o futuro do país.

A Petrobras obteve, no ano passado, licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a operação de pesquisa exploratória na Margem Equatorial.

A região, situada no norte do Brasil, é considerada uma nova fronteira petrolífera e apontada como um possível “novo pré-sal” devido ao potencial de reservas de petróleo.

Durante o discurso em Paulínia, Lula também criticou as privatizações da BR Distribuidora, realizada em 2019, e da Liquigás, concluída em 2020. De acordo com o presidente, as vendas representaram uma tentativa de enfraquecer a Petrobras por meio da comercialização gradual de ativos da estatal.

Lula comparou o processo à venda de um grande rolo de mortadela fatiado aos poucos até desaparecer completamente. Para ele, a Petrobras deve ser tratada como patrimônio nacional e não deve ser privatizada.

O presidente também afirmou que, caso a empresa já fosse privada, os brasileiros sofreriam ainda mais os impactos econômicos da alta internacional do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio.

Segundo Lula, o governo pretende utilizar recursos arrecadados com impostos sobre a exportação de petróleo para subsidiar os preços do diesel e da gasolina, reduzindo os impactos sobre consumidores e caminhoneiros.

“A Petrobras está ganhando mais dinheiro exportando petróleo e o petróleo subiu por causa da Guerra do Irã”, afirmou.

A visita de Lula à Refinaria de Paulínia também marcou o anúncio de R$ 37 bilhões em investimentos da Petrobras no estado de São Paulo até 2030.

De acordo com a estatal, os recursos serão destinados às áreas de refino e biorrefino, logística, exploração e produção, descarbonização e geração de energia sustentável. A expectativa é de geração de 38 mil empregos diretos e indiretos.

Do total anunciado, cerca de R$ 6 bilhões serão aplicados na Replan, considerada a maior refinaria do país. A unidade é responsável pelo abastecimento de mais de 30% do território brasileiro e possui capacidade atual de processamento de 434 mil barris de petróleo por dia.

Com o projeto de ampliação, a capacidade deverá subir para 459 mil barris diários.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a Replan deverá produzir combustível de aviação com até 5% de componentes renováveis até o final deste ano.

Segundo ela, a Petrobras também está investindo na ampliação da produção do Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, voltado à produção de gás natural.

Magda declarou ainda que a companhia pretende anunciar em breve a viabilidade comercial de uma nova descoberta no bloco Aram, localizado no pré-sal da Bacia de Santos.

De acordo com a presidente da estatal, dois novos poços deverão entrar em produção no estado de São Paulo ligados às reservas do pré-sal.

Durante o evento, Magda Chambriard destacou o papel da Petrobras na segurança energética nacional em meio ao cenário de conflitos internacionais.

Segundo ela, a estatal atualmente responde por 75% do abastecimento de diesel no território nacional, mas possui projetos para ampliar esse percentual para 85%.

A presidente afirmou ainda que a meta da Petrobras é tornar o Brasil autossuficiente em diesel até 2030.

As declarações de Lula e os anúncios feitos pela Petrobras reforçam a estratégia do governo federal de ampliar investimentos no setor energético e fortalecer a atuação da estatal. Além da defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial, o governo destacou medidas voltadas à segurança energética, expansão do refino e desenvolvimento de combustíveis renováveis, ao mesmo tempo em que reafirmou posição contrária à privatização da Petrobras.

Com informações da Agência Brasil