Às vésperas de uma reunião com chefes de Estado progressistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a regulação do ambiente digital como forma de proteger a soberania nacional e o processo eleitoral brasileiro. Em declaração feita após encontro bilateral com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, Lula também fez críticas ao avanço do extremismo no mundo e questionou falhas das democracias contemporâneas.
Durante a fala, o presidente ressaltou a necessidade de regras mais rígidas para o ambiente digital, especialmente em períodos eleitorais.
“Nós precisamos agora regular tudo que for digital, para que a gente dê soberania ao nosso país, e que não permita inclusive intromissão de fora, sobretudo num ano eleitoral”, afirmou o presidente após reunião bilateral com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, em Barcelona.
Lula também criticou a forma como conteúdos nocivos têm sido tratados nas redes sociais.
“Não é possível você tratar como normal e como liberdade de expressão a indústria da mentira, da violência verbal, da desinformação, como tem acontecido no planeta”, disse o petista após ser questionado sobre a intenção de países europeus de estabelecer uma idade mínima para o uso das redes sociais.
O presidente ainda reforçou que pretende avançar na discussão sobre o tema.
Lula afirmou que vai trabalhar muito na regulação “para evitar que as plataformas causem qualquer dano contra a democracia, a soberania e a felicidade das pessoas”.
As declarações foram feitas um dia antes do encontro de Lula e Pedro Sánchez com outros líderes progressistas, em uma articulação internacional contra o avanço da direita no mundo. A reunião faz parte do quarto encontro do chamado Fórum Democracia para Sempre, criado pelos dois em 2024.
O evento contará com a participação de cerca de uma dúzia de chefes de Estado e terá três eixos principais: combate à desinformação, multilateralismo e redução das desigualdades.
Entre os confirmados estão os presidentes Claudia Sheinbaum (México), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Cyril Ramaphosa (África do Sul). Pela Europa, participam o vice-chanceler da Alemanha, Lars Klingbeil, e o vice-primeiro-ministro do Reino Unido, David Lammy.
Durante sua fala, Lula também fez uma análise crítica sobre o funcionamento das democracias e instituições internacionais.
“Eu quero saber onde nós falhamos como democratas. Onde as instituições democráticas deixaram de funcionar. […] A ONU (Organização das Nações Unidas) hoje está muito enfraquecida. As nações que criaram a ONU não respeitam a ONU”.
Em outro momento, o presidente demonstrou preocupação com os rumos das políticas públicas e o distanciamento de parte da população, especialmente dos jovens.
”Eu tenho essa inquietude […] Onde é que o nosso discurso está errado? Onde é que as nossas políticas públicas não estão atendendo às expectativas de uma juventude que quer um novo mundo do trabalho?”, completou o presidente.
Após a passagem pela Espanha, Lula seguirá para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover, e depois para Portugal, onde se reunirá com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o novo presidente António José Seguro. O retorno ao Brasil está previsto para a próxima terça-feira (21).
A comitiva presidencial conta com 11 ministros, entre eles Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente) e Margareth Menezes (Cultura).
Também integram o grupo o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.
As declarações de Lula em Barcelona reforçam o foco do governo brasileiro na discussão sobre regulação digital e combate à desinformação, ao mesmo tempo em que inserem o país em um movimento internacional de articulação entre lideranças progressistas. A agenda diplomática do presidente segue nos próximos dias na Europa, com encontros voltados a temas econômicos, institucionais e políticos.
Com informações do Jornal de Brasília







