Mais de 11 mil pessoas que trabalhavam no setor da siderurgia no Brasil perderam o emprego nos últimos 12 meses até maio. Até o fim deste ano serão mais 4.000 demissões, segundo projeções do Instituto Aço Brasil (IABr). Os cortes afetarão em cheio Minas Gerais, que responde por um terço (32%) da produção do setor no país. O presidente do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, explica que, por trás da retração do setor siderúrgico, está a queda na demanda dos maiores consumidores de aço no país: a construção civil, as montadoras de veículos e a indústria de bens de capital, que juntas respondem por quase 80%.
“A indústria de transformação vem passando por um momento extremamente difícil, com um crescimento pífio do PIB no ano passado e previsão de retração neste ano, com um desempenho ruim de toda a economia, com a construção civil e as indústrias automotiva e de máquinas e equipamentos passando por dificuldades monumentais”, explica.
Segundo Lopes, o reflexo, além dessas barreiras conjunturais, existem as estruturais. “Há excedente de aço no mercado mundial, e estamos sendo bombardeados com a importação da China e, ao mesmo tempo, perdemos competitividade para exportar”, avalia. “O resultado é que um setor, que investiu US$ 19 bilhões desde 2009, agora adiou US$ 2,1 bilhões de investimentos, que gerariam mais de 7.000 postos de trabalho”, destaca Lopes.
O saldo é bem negativo. Nos últimos 12 meses, segundo levantamento do IABr, 20 unidades foram desativadas ou paralisadas. Uma delas é o alto-forno da Usiminas em Ipatinga, no Vale do Aço, que foi desligado temporariamente no dia 31 de maio. Também foi desligado outro alto-forno da empresa em Cubatão (SP). A ação implicará redução mensal de 120 mil toneladas de ferro-gusa, matéria-prima do aço. A companhia vende um terço da sua produção de aço para o setor de automóveis.
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