Se dona Dilma, decorridos oito dias da tragédia, se dispôs exatamente agora, a fazer uma visitinha a Minas Gerais, para que num rápido sobrevoo pudesse visualizar do alto, toda a desgraça que o lamaçal advindo do rompimento das barragens de Santarém e Fundão acabou provocando neste e no estado vizinho; ficamos a nos perguntar: decorrido tanto tempo do desastre, o que de fato a teria feito decidir por tal viagem? Seria apenas para ter um contato mais íntimo que a permitisse aquilatar ao vivo e a cores, a extensão da tragédia? Aliás, foi dela mesma a afirmativa de que, qualquer liberação de recursos, seria apenas encarada pelo governo federal como um simples adiantamento que mais tarde deveria ser cobrado dos empresários causadores de tudo.
Com ela, até concordamos, mas também acreditamos que então nem mesmo precisaria sair de seu aconchego em Brasília pois, se não veio para viabilizar algo em favor dos atingidos, para satisfazer apenas a curiosidade, bastaria prestar atenção nas imagens que as redes de TV, colocam no ar a toda hora e que com muitos detalhes nos mostram tudo que ali ocorreu.
Também gostaríamos de lembrar que para tomar contato direto com lama e tragédia, bastaria se lembrar que, a mando dela mesma, a Câmara acabou aproando lá em Brasília, no decorrer da sessão de quarta-feira (11), algo que podemos sim enquadrar como algo representativo do binômio, lama/tragédia.
Talvez, fazendo este esforço de memória, quem sabe o “tico e o teco”, uma vez motivados, acabassem lhe revelando num lampejo de lucidez que, tragédia muito maior que a mineira deverá se instalar de vez neste país, a partir daquilo que seus fiéis seguidores aprovaram, transformando em quase lei (ainda falta o “de acordo” dos senadores) aquela excrescência parida pelo próprio governo e que transformou para sempre, a nossa Receita Federal numa lavanderia capaz de lavar toda a lama pertencente a brasileiros com “reservas” nos paraísos fiscais (esta sim, muito maior, mal cheirosa e mais perigosa que aquela produzida pela Samarco). Esta hoje é representada por moedas estrangeiras e outros bens pertencentes a conhecidos bandidos brasileiros, os quais, daqui para a frente, estarão todos anistiados e protegidos, graças a esta inciativa governamental.
Com ela (a lei) em vigor, estarão “anistiados” todos os facínoras, políticos ou não, inclusive aqueles que se valeram de métodos pouco convencionais para assaltarem cofres públicos e arrebanharem recursos para o financiamento de seus familiares, apaniguados, laranjas bem remunerados ou dos filiados e seus próprios partidos. Ah, não nos esqueçamos aqui de incluir no rol dos beneficiados, os eleitos graças às campanhas milionárias, inclusive a dela própria e de seus antecessores. Isto, segundo se depreende do que vaza a público no decorrer das investigações em andamento na Polícia Federal e em outros órgãos que deveriam cuidar de investigar, esclarecer e coibir tal prática ou até mesmo nas oitivas realizadas nas tais CPIs em andamento.
Resumindo a questão, podemos afirmar que o Governo capitaneado por esta senhora, conseguiu por métodos e razões por demais conhecidos, legalizar enorme gama de crimes, ao aprovar na Câmara, a “repatriação” de dinheiro sujo.
O texto aprovado abre as portas para a legalização de dinheiro e bens, ainda que estes permaneçam lá fora, provenientes de: evasão de divisas; sonegação fiscal; lavagem de dinheiro; descaminho; uso de identidade falsa para operação de câmbio; sonegação de contribuição previdenciária; falsificação de documento público; falsificação de documento particular; falsidade ideológica.
Ah, sim, sejamos justos: segundo garante boa parcela da “claque” da situação, o tal dinheiro tem que ter origem lícita… E, convenhamos, não há como duvidar do que eles afirmam. São gente da estirpe de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Sibá Machado, Zé Guimarães, Jandira Fegalle, Lindberg Faria e de tantos outros que todo mundo sabe, nos dão diariamente, mostras de suas ilibadas reputações. São gente da melhor qualidade pois, se assim não fosse, não teriam sido eleitos!
Mas, que a tal lei é um escândalo, uma vergonha, uma podridão, um nojo, disso não temos dúvida. Complete você mesmo leitor, a lista de crimes anistiados e, se puder, agradeça e retribua de alguma forma, ainda que seja por e-mail ou mensagem, a visita da nossa “presidenta” a este Estado, em especial por estes dias, nesta ocasião em que ela que nos traz pessoalmente, esta demonstração de apreço ao povo mineiro.
E viva a democracia! Comemoremos e aguardemos ansiosos pela aprovação daquele outro “mimo” que ela, já encomendou para nos entregar como lembrancinha de Natal e que certamente em breve tramitará naquela casa de leis: aguardem vem aí a nova CPMF!







