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Minas Gerais procura por doadores de vida

Mais de 3 mil pessoas esperam pela doação de um órgão ou tecido em Minas Gerais. A esperança para elas voltarem a ter uma vida normal pode vir de uma campanha lançada durante a Semana Nacional de Doação de Órgãos, encerrada ontem. O Ministério da Saúde quer incentivar a solidariedade e alcançar a meta de 15 doadores a cada milhão de habitantes em 2015 ? quatro a mais que o número atual. No Estado, o desafio será descentralizar a captação de órgãos e melhorar o sistema de notificação de morte cerebral nos hospitais.
A campanha publicitária tem o tema ?Seja um doador de órgãos, seja um doador de vidas?. Cada Estado terá ações próprias. No país, os transplantes aumentaram de 10.150, no primeiro semestre de 2010, para 11.242 no mesmo período deste ano.
Segundo o coordenador do Complexo MG Transplantes, Charles Simão, Minas Gerais tem se destacado no número de doadores e de cirurgias. Em 2006, eram 3,6 doadores por cada milhão de habitantes e, no ano passado, a marca foi de 10,5 por milhão.
?Temos 80% da população como doadora. Em números absolutos, somos o segundo estado no Brasil em transplantes. Mas, proporcionalmente, ainda estamos em sétimo lugar, devido ao tamanho do território mineiro e à distância dos centros. Temos dificuldade na notificação por parte dos hospitais?, explica.
A expectativa de Charles é que Minas encerre 2011 como o quinto Estado com mais cirurgias. A aposta é em cursos de capacitação, em visitas a hospitais para intensificar as notificações de doadores, na descentralização dos centros e em melhorias na logística.
Segundo o MG Transplantes, até agosto deste ano foram 1.446 operações, uma a menos que no mesmo período de 2010. Do total, pouco mais de mil foram transplantes de tecidos como córneas, escleras e medula óssea.
Um dos transplantes deu um novo coração ao mecânico Edilescócio de Paula Maciel, de 31 anos. Ele passou a precisar do órgão após levar uma facada, em 2007. ?Hoje, me sinto muito melhor. Voltei a ter atividades normais e a brincar com meus filhos?, diz.
Quem abraçou a ideia da doação foi a bordadeira Rosimere Guirado, de 57 anos. O filho dela morreu atropelado em 2004 e a família optou pela doação. ?Temos uma sensação de alívio. Graças a ele, a vida de várias pessoas melhorou?, afirma.
A lista de espera por órgãos e tecidos em Minas, até agosto deste ano, era de 3.034 pessoas. A maior demanda é por rins: 2.198 pacientes sonham em se livrar da hemodiálise.
Uma delas é a dona de casa Maria Conceição de Oliveira, de 47 anos. Em dez anos, ela ainda não encontrou um órgão compatível. ?Até apareceram possíveis doadores, mas não havia compatibilidade. Fico ansiosa?, confessa.
Para o presidente da Associação dos Transplantados de Minas Gerais (Asstra), Túlio Gambogi, o número de pessoas que aguardam uma doação pode ser ainda maior. Ele diz que na lista só estão pacientes que têm condições de passar pela cirurgia.
Quando o risco é alto, o nome do doente, segundo ele, não é sequer incluído no cadastro. ?Há médicos que só operam se o risco for baixo, para não haver complicações. Toda cirurgia é arriscada, mas todo cidadão tem direito à vida, mesmo com a condição clínica pior?, afirma Túlio.