Ainda que as restrições contra a Covid-19, como uso obrigatório de máscara, tenham caído ao redor do Brasil e do mundo há meses, a pandemia ainda não chegou a um fim e a doença segue com seu status de ameaça global, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nessa terça-feira (8), foi confirmada a primeira morte no Brasil pela subvariante BQ.1 do coronavírus, descendente da ômicron, em meio a um novo aumento de casos confirmados de Covid no país. Ainda é cedo, segundo especialistas, para falar em uma nova onda da pandemia, mas o cenário atual sinaliza mais um alerta de que o vírus continua a circular intensamente.

“Não gostaríamos de estar discutindo isso, mas é um momento de atenção. A morte por uma nova variante e um aumento do número de casos são algo que não víamos há algum tempo. A situação é uma chamada à sociedade para lembrar que a Covid ainda é um problema de saúde pública”, avalia o professor de biologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Renan Pedra, que conduziu o monitoramento de variantes do vírus no Estado durante a maior parte da pandemia. Por ora, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) não confirmou casos de infecção pela BQ.1 em Minas — Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo tiveram confirmações.

Na terceira semana de outubro, a taxa de positividade dos testes de Covid-19 realizados nacionalmente em farmácias chegou a 15,5%, ultrapassando dois dígitos pela primeira vez em seis semanas, de acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). A primeira paciente que faleceu com infecção confirmada pela BQ.1 foi uma mulher de 72 anos, com comorbidades, em São Paulo.

Para Renan Pedra, é cedo para determinar se medidas de proteção contra a Covid precisarão voltar a ser obrigatórias. “Não temos informação de que seja uma variante mais letal ou algo nesse sentido. O momento é de lembrar de que o vírus parece ter voltado a circular em uma quantidade maior do que nos últimos meses. Caso essa tendência se confirme, talvez valerá a pena retomar algumas das medidas como uso de máscara e distanciamento”, reflete. Algumas instituições do Rio, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), voltaram a recomendar o uso de máscara nesta semana, por exemplo.

Pedra recomenda que, neste momento, a testagem ao menor sintoma de Covid seja procurada. “Qualquer sintoma respiratório volta a poder ser Covid. É importante buscar a testagem para termos um monitoramento”, explicou.

Fonte: O Tempo

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