Cientistas identificaram as condições climáticas que criam os chamados “raios secos”, fenômenos que iniciaram alguns dos incêndios florestais mais devastadores da Califórnia.

Essas condições podem ser modeladas a longo prazo para melhorar a previsão desses eventos climáticos muito raros.

E isso ajudará os governos e os serviços de emergência a responder mais rapidamente, à medida que os incêndios florestais extremos aumentam em frequência e tamanho.

O raio seco ocorre quando há menos de 2,5 mm de chuva.

A parte inferior da atmosfera da Terra — a troposfera — é tão seca que a chuva que normalmente vem com os raios evapora antes de cair.

Agora, os cientistas identificaram as condições que permitem isso:

  • temperaturas terrestres mais altas
  • secura na baixa troposfera
  • umidade e instabilidade na parte média da troposfera

As altas temperaturas e a secura também são condições ideais para a queima da vegetação.

E acredita-se que nos próximos anos o aquecimento global vai aumentar as temperaturas e reduzir as chuvas na Califórnia.

Em agosto de 2020, mais de 12 mil relâmpagos secos iniciaram mais de 650 incêndios florestais em toda a Califórnia, queimando mais de 600 mil hectares de terra, com centenas de milhares de pessoas evacuadas, o equivalente a cerca de 840 mil campos de futebol.

Acredita-se também que o relâmpago tenha intensificado o incêndio batizado como McKinney, o maior do estado este ano, na semana passada.

O principal autor do artigo, Dmitri Kalashnikov, da Universidade Estadual de Washington, disse que as múltiplas ignições de fogo em eventos de raios secos fazem com que ele sejam difíceis de se controlar.

“Compare isso com um incêndio causado por humanos”, disse ele. “Esse costuma ser um local, seja criminoso ou acidental, que geralmente fica perto de onde as pessoas podem acessá-los. Por isso, a resposta para apagar o incêndio pode ser muito mais rápida.”

Mas os incêndios com raios secos podem começar a mais de 100 km da estrada mais próxima, espalhando-se rapidamente antes que os bombeiros consigam chegar ao local.

Os relâmpagos iniciaram 28,5% dos incêndios florestais na Califórnia entre 1987 e 2020, segundo o estudo, mas causaram 50% das terras queimadas.

A cautora do estudo, Deepti Singh, disse que o artigo pode ajudar a “entender a meteorologia dos raios secos nesta região [que] é crucial para informar a previsão, ajudando a restringir melhor o risco futuro de ignição de incêndios florestais na Califórnia”.

Os cientistas agora esperam estudar raios secos em outras partes do oeste dos EUA, incluindo Oregon e as Montanhas Rochosas.

Fonte: G1

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