O sacerdote Frei Gilson foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) nessa terça-feira (5) por supostas falas discriminatórias contra a comunidade LGBT+ e mulheres. A representação foi apresentada pelo ex-noviço e jornalista Brendo Silva, que acusa o religioso de utilizar pregações e redes sociais para disseminar preconceitos.
Segundo a representação, o documento reúne vídeos em que o religioso utiliza o termo “homossexualismo” e classifica a orientação sexual como “desordem” e “depravação grave”. O autor da denúncia afirma ainda que “liberdade religiosa não é liberdade para odiar”.
O material também cita pregações nas quais Frei Gilson defenderia a submissão das mulheres aos homens.
O caso ganhou destaque devido à ampla audiência do sacerdote, identificado como Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, líder do ministério Som do Monte. Ele é considerado um dos religiosos com maior influência digital no Brasil, reunindo milhões de seguidores em transmissões de orações realizadas, inclusive, durante a madrugada no YouTube.
Recentemente, o religioso reuniu cerca de 75 mil pessoas no evento católico “Cristo é o Show”, realizado no último domingo (03), no Mineirão, em Belo Horizonte, que registrou recorde de público após a reforma do estádio. Na ocasião, ele realizou uma pregação à tarde e participou de um show à noite.
Em abril deste ano, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) criticou o frei após a circulação de um vídeo de uma de suas pregações. A parlamentar o acusou de misoginia em razão de um discurso interpretado como defesa da submissão feminina aos homens.
O Ministério Público de São Paulo deverá realizar uma análise preliminar para decidir sobre a abertura de investigação formal por meio do Gecradi, grupo voltado ao combate de crimes de intolerância. Nesta fase, serão avaliados os vídeos e o contexto das declarações para verificar possível ocorrência de crimes de discriminação ou eventual arquivamento da denúncia.
Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo. Em São Paulo, manifestações discriminatórias por orientação sexual também são enquadradas na Lei Estadual 10.948/2001.
Até o momento da publicação, Frei Gilson e sua equipe não haviam se manifestado oficialmente sobre as acusações.
O caso segue em análise inicial pelo Ministério Público, que deverá decidir se haverá abertura de investigação formal. A denúncia envolve acusações de discriminação e ocorre em meio à ampla visibilidade pública e digital do religioso.
Com informações do O Tempo






