De volta a Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá de enfrentar, já neste início de ano, a necessidade de promover mudanças na equipe ministerial. Pelo menos dois ministros manifestaram ao presidente o desejo de deixar seus cargos nos próximos meses, com destaque para pedidos de saída ainda em janeiro.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, sinalizou a Lula, ainda no fim do ano passado, a intenção de antecipar sua saída do cargo. Segundo integrantes da pasta, o desejo é deixar o ministério até o fim desta semana, na sexta-feira (9). A decisão já foi comunicada aos secretários desde a virada do ano.
Há, no entanto, divergências internas. Parte dos técnicos do Ministério da Justiça defende que Lewandowski permaneça no cargo ao menos até a aprovação da chamada PEC da Segurança Pública, que ainda precisa passar pelo plenário da Câmara dos Deputados e pelo Senado.
De acordo com interlocutores, o ministro gostaria de encerrar sua passagem pela pasta durante o ato do governo que trata do 8 de janeiro. Embora já tenha conversado com Lula, a palavra final sobre o momento da saída caberá ao presidente.
Reservadamente, secretários relatam cansaço de Lewandowski diante da condução de temas sensíveis sem respaldo do Planalto. As críticas são direcionadas principalmente ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Também há desânimo com a falta de diálogo considerado qualificado no Congresso Nacional, onde, segundo a avaliação interna, projetos do Ministério da Justiça, como a PEC da Segurança Pública e a proposta antifacção, foram desvirtuados.
Dentro do PT, a possível saída de Lewandowski é vista como uma oportunidade para atender a uma antiga demanda do partido: dividir o atual ministério em duas pastas — Justiça e Segurança Pública — como resposta às críticas do eleitorado ao desempenho do governo nessa área. A segurança pública aparece no topo das preocupações da população, de acordo com as pesquisas mais recentes.
No Ministério da Fazenda, o ministro Fernando Haddad também comunicou a Lula o desejo de deixar o cargo neste início de ano, embora tenha indicado que poderia permanecer até o fim de fevereiro. A tendência, segundo fontes da pasta, é que o secretário-executivo Dario Durigan assuma o comando interino do ministério.
O interesse de Haddad seria atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula à Presidência. No entanto, os planos do PT e do próprio presidente para o ministro apontam para uma candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado.
Mesmo antes de uma eventual saída de Haddad, a equipe econômica já começou a passar por mudanças. Marcos Barbosa Pinto, então secretário de Reformas Econômicas, deixou o ministério antes do recesso. A saída, anunciada em novembro, é interpretada por governistas como natural, sob a avaliação de que o secretário tinha perfil mais ligado ao mercado do que à política. Para essas fontes, a agenda reformista da Fazenda no terceiro mandato de Lula já teria se encerrado.
Com o retorno de Lula a Brasília, as pressões por mudanças no primeiro escalão se intensificam. As possíveis saídas de Ricardo Lewandowski e Fernando Haddad colocam o presidente diante de decisões estratégicas que envolvem tanto a reorganização interna do governo quanto a resposta a demandas políticas, eleitorais e institucionais em áreas sensíveis como economia e segurança pública.
Com informações do G1 Centro Oeste








