Ciência e Saúde

Pesquisadores detectam cafeína e cocaína em sangue de tubarões

Foto: Freepik/Imagem ilustrativa

Pesquisadores identificaram a presença de substâncias incomuns no sangue de tubarões nas Bahamas, incluindo cafeína, anti-inflamatórios e até cocaína. O achado reforça o impacto da poluição marinha causada por atividades humanas, mesmo em regiões consideradas remotas.

Substâncias detectadas em área remota

O estudo analisou amostras de sangue de tubarões encontrados próximos à Ilha Eleuthera, nas Bahamas. Entre os compostos detectados estão cafeína, diclofenaco, paracetamol e cocaína — substâncias associadas ao consumo humano e ao descarte inadequado de resíduos.

Ao todo, foram coletadas amostras de 85 tubarões de cinco espécies diferentes. Os resultados apontaram que cerca de um terço dos animais apresentavam traços de anti-inflamatórios e cafeína, enquanto um indivíduo testou positivo para cocaína.

Impactos à saúde dos animais

De acordo com os pesquisadores, a exposição a esses contaminantes pode causar diversos problemas fisiológicos nos tubarões e em outros animais marinhos. Entre os efeitos apontados estão insuficiência renal, hiperglicemia e alterações no metabolismo lipídico.

Os autores destacam que este é o primeiro registro de contaminantes emergentes e possíveis respostas fisiológicas associadas em tubarões da região, o que evidencia a necessidade urgente de enfrentamento da poluição marinha.

Influência da atividade humana

O estudo foi liderado pela pesquisadora brasileira Natascha Wosnick, da Universidade Federal do Paraná, em parceria com cientistas internacionais. Os resultados foram publicados na revista Environmental Pollution em meados de fevereiro.

Em entrevista ao portal Science News, a pesquisadora afirmou que a contaminação tem relação direta com a presença humana, mesmo em áreas isoladas. Segundo ela, o descarte de dejetos no mar contribui para a poluição local.

Além disso, o aumento do turismo e o crescimento do número de casas de férias na região também podem estar alterando a composição química das águas, intensificando os riscos para a fauna marinha.

Conclusão

Os pesquisadores alertam que compreender os impactos dessas substâncias no organismo dos animais é fundamental não apenas para a preservação dos ecossistemas costeiros, mas também para a manutenção dos benefícios sociais e econômicos que eles proporcionam. O estudo reforça a importância de medidas para reduzir a poluição marinha e proteger espécies vulneráveis.

Com informações do Metrópoles