Um policial civil, com sintomas de embriaguez, envolveu-se em uma colisão de trânsito no bairro Bom Jesus, na região Noroeste de Belo Horizonte, na noite desse sábado (14). A Carteira Nacional de Habilitação do agente, de 57 anos, foi recolhida. Ninguém se feriu. Em determinado momento da confusão, o servidor declarou que iria “matar todo mundo”. Ele foi contido.

A Polícia Militar informou que foi chamada à rua São Clemente, altura do número 729, por volta das 22h45, para atender uma situação de batida de veículos e de início de atritos entre o servidor, um empresário e um motorista.

Empresário

O dono de um estabelecimento localizado em frente ao ponto do acidente declarou que estava trabalhando quando ouviu o barulho do choque entre os carros e foi averiguar o que havia ocorrido. Ele saiu da loja e se deparou com um homem em um Renault Duster cinza dando marcha à ré e atingindo a lateral direita de um Chevrolet Cruze branco. Ainda segundo o empresário, o condutor tentou novamente dirigir em ré, mas não conseguiu.

Em seguida, o policial tentou fugir, mas também não obteve sucesso. Nesse momento, algumas pessoas alertaram que o agente estava armado. O trabalhador afirmou que foi até a Duster e tentou retirar a chave do carro para que o automóvel fosse desligado. Ele conseguiu conter o motorista, que estava com sinais de embriaguez, com uma “chave de braço”, até a chegada da PM.

Motorista do Cruze

À PM, o condutor do Cruze, de 34 anos, declarou que estava dirigindo pela rua São Clemente quando foi surpreendido pela Duster, que vinha na contramão e em alta velocidade. Os carros se chocaram frontalmente e os motoristas iniciaram uma discussão. Ele relatou, ainda, que o homem tentou dar marcha à ré para danificar o Cruze, até que foi contido por um popular.

O rapaz ainda afirmou que o policial afirmava, a todo tempo, que as pessoas “não o conheciam”  que ele “iria matar todo mundo”. A mesma versão sobre essa fala foi dada pelo dono do estabelecimento.

Policial civil

O agente da Polícia Civil disse à PM que estava em uma festa e vivenciou um desentendimento com um outro convidado do evento. Quando estava indo embora, já na Duster, ele contou que um veículo Cruze o cercou, causando a colisão entre os automóveis. Ele afirmou que foi contido por um outro homem, na rua São Clemente.

Anfitrião

Os militares também conversaram com o dono da festa, que ocorria na mesma localidade. Em depoimento à polícia, o homem declarou que o policial civil ingeriu bebida alcoólica, se envolveu em um atrito, e se retirou do local.

Autuação

No boletim de ocorrência está registrado que, assim que os militares chegaram, foi constatado que o policial civil apresentava “olhos vermelhos e hálito etílico”. Segundo a PM, o homem se recusou a fazer o teste do bafômetro. Ele foi autuado e a CNH dele foi recolhida.

O policial ainda foi conduzido, juntamente com os outros envolvidos, até o Detran-MG para a finalização da ocorrência. No local, o motorista do Cruze e o empresário “dispensaram providências” em relação às ameaças de morte, e foram todos liberados.

Polícia Civil se posiciona

A Polícia Civil de Minas Gerais enviou uma nota sobre a ocorrência desse sábado. No texto, a corporação informou que “todas as providências legais cabíveis foram adotadas na Delegacia de Plantão”, tendo sido “instaurado procedimento pela Corregedoria da instituição para apurar a conduta do policial, de 57 anos, e as circunstâncias do fato”.

A corporação também disse que o agente “segue sendo investigado, podendo ser responsabilizado na área cível, administrativa e/ou criminal”.

Leia a nota na íntegra:

Sobre a ocorrência de acidente de trânsito sem vítima registrada, ontem (14/5), no bairro Bom Jesus, na capital, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que todas as providências legais cabíveis foram adotadas na Delegacia de Plantão, sendo instaurado procedimento pela Corregedoria da instituição para apurar a conduta do policial, de 57 anos, e as circunstâncias do fato. No local dos fatos, foi lavrado o auto de infração de trânsito, recolhida a carteira de habilitação do condutor e apreendido o veículo dele pela Polícia Militar. Com os outros envolvidos na ocorrência, ele foi conduzido e ouvido pela autoridade policial de plantão. A PCMG esclarece que, de acordo com relato da Polícia Militar, as vítimas dispensaram providências em relação às ameaças e foram todos liberados. O condutor segue sendo investigado, podendo ser responsabilizado na área cível, administrativa e/ou criminal.

Fonte: O Tempo

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