As girafas estão entre os mamíferos que menos dormem no mundo. Enquanto os seres humanos costumam dedicar várias horas do dia ao descanso, esses animais somam cerca de apenas 30 minutos de sono diariamente. O comportamento, segundo especialistas, é resultado de uma adaptação evolutiva desenvolvida ao longo do tempo para aumentar as chances de sobrevivência em ambientes repletos de predadores.
Originárias das savanas africanas, as girafas vivem em regiões onde a presença de predadores exige vigilância permanente. Por isso, seu padrão de sono evoluiu para períodos curtos e fragmentados ao longo do dia e da noite.
De acordo com a bióloga Mara Marques, do Zoológico de São Paulo, o tempo total de descanso costuma somar cerca de meia hora por dia.
“Em situações de risco, elas podem permanecer ainda mais tempo sem dormir”, afirma a especialista.
Além da curta duração do sono, as girafas costumam descansar em pé, condição que facilita uma reação rápida diante de qualquer ameaça. Nessa posição, permanecem apenas em estados de sonolência leve. O sono profundo ocorre quando o animal está deitado, situação considerada rara na natureza.
A realidade é diferente para as girafas que vivem em zoológicos. Sem a necessidade de se preocupar com predadores, esses animais tendem a apresentar padrões de sono distintos dos observados na natureza.
“Em zoos, os padrões de sono podem ser bastante diferentes. Sob cuidados humanos, as girafas são observadas com mais frequência deitadas e podem dormir períodos mais longos por dia. Esse ambiente seguro também favorece a ocorrência de estágios mais profundos do sono”, explica Mara.
Outro aspecto que chama a atenção no comportamento das girafas é a chamada vigilância cooperativa. Nas manadas, os indivíduos se revezam nos períodos de descanso para garantir a proteção coletiva.
Dessa forma, é incomum que todos os adultos durmam simultaneamente. Enquanto alguns descansam, pelo menos um integrante permanece atento a possíveis ameaças.
Segundo a professora de biologia Morgana Bruno, da Universidade Católica de Brasília, a quantidade de sono varia conforme a idade do animal.
“Girafas filhotes dormem significativamente mais, despendendo entre quatro a seis horas por dia deitadas. À medida que envelhecem, o tempo de sono deitado decresce bruscamente, atingindo o patamar mínimo na idade adulta devido ao aumento do peso corporal e à lentidão mecânica para se levantarem em caso de ataque”, explica.
Especialistas alertam que alterações no ambiente natural das girafas podem reduzir ainda mais a qualidade do descanso desses animais. A expansão agrícola, a construção de estradas, o aumento do ruído humano e a poluição luminosa são fatores que elevam os níveis de estresse e dificultam o sono.
“Ambientes ruidosos ou com poluição luminosa artificial impedem que as girafas atinjam o estado de relaxamento necessário para iniciar o sono deitado, gerando um quadro de privação crônica de sono REM”, afirma Morgana.
Além disso, o desmatamento pode obrigar as girafas a percorrer distâncias maiores em busca de alimento, aumentando o desgaste físico e a necessidade de permanecer em alerta contra possíveis predadores.
O reduzido tempo de sono das girafas é resultado de milhões de anos de adaptação às condições das savanas africanas. No entanto, especialistas alertam que mudanças provocadas pela atividade humana podem comprometer ainda mais a qualidade do descanso desses animais, afetando seu bem-estar e aumentando os desafios para sua sobrevivência.
“Qualquer mudança ambiental que aumenta o estresse, a necessidade de vigilância ou a demanda energética pode reduzir a qualidade do sono das girafas”, conclui Mara.
Com informações do Metrópoles








