O INPE é uma instituição realmente fantástica, com cientistas e tecnologistas geniais. Não estou falando de mim, mas de muitos colegas que me fazem sentir orgulho. Ingressei aí em 10 de outubro de 1985 já sabendo que a área espacial era uma joia do estado brasileiro. Está certo que os maus governos do passado e presente foram danosos, não só ao INPE mas à Ciência e Tecnologia de um modo geral.

Por outro lado, a inventividade dos cientistas surpreende, como o lançamento de um serviço inédito de previsão de raios para o país. Previsão de raios? Pois é, chegamos a tal, já possível prever a incidência de raios com antecedência de 24 horas. É a conquista do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE, o serviço estará disponível no próximo verão para uso dos veículos de comunicação de todo o país, como já ocorre com a previsão do tempo.

Isso é o resultado de cinco anos de pesquisas científicas. Para fazer o sistema, usaram o modelo meteorológico “Weather Research and Forecasting – WRF” rodado em alta resolução, algumas ferramentas estatísticas e dados de descargas atmosféricas, as que acontecem dentro das nuvens e aquelas que se dirigem para o solo, e que foram registrados pela Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT).  O BrasilDAT é a terceira maior rede de detecção de raios do mundo e é operada pelo ELAT.

Pouca gente sabe que o Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo, são 50 milhões de descargas atmosféricas por ano. E o verão é a estação do ano que registra o maior número de raios.

Sabemos disso graças ao sensor orbital LIS (Lightning Imaging Sensor), que faz parte do satélite Tropical Rainfall Measuring Mission (TRMM), das agências espaciais NASA (americana) e JAXA (japonesa).

As quatro cidades brasileiras com maior concentração de raios do país localizam-se no Rio de Janeiro, a primeira é Porto Real, com 19,66 raios por quilômetro quadrado por ano, seguido de Barra do Piraí, com 18,09, Valença, 17,31, e Rio das Flores, 17,11. Do quinto ao nono lugar, seguem cidades de Minas Gerais, Juiz de Fora, 17,03, Belmiro Braga, 16,74, Matias Barbosa, 16,63, Rio Preto, 16,6, e Piau, 16,34. A décima é Forquetinha, do Rio Grande do Sul, com 16,13.

Os raios são fenômenos perigosos que merecem a atenção de todos. No Brasil, entre 2000 e 2014, ocorreram 1792 mortes. Isso significa que para cada 50 mortes por raios no mundo, 1 é no Brasil. De cada cem mortos aqui, 82 são homens e 18 mulheres; 43 tem entre 14 e 24 anos, talvez já indicando a imprudência juvenil como causa secundária. No verão são 43 e na primavera 33.

Onde acontecem as mortes? As atividades rurais são responsáveis por 24%, estar dentro de casa também não garante, já que 17% morrem aí, próximos a veículos são ceifados 11%, debaixo de árvores, 9%, e jogando futebol, 8%.

No Estado de São Paulo morreram 288 pessoas naquele período, seguido de Minas Gerais, 132, Rio Grande do Sul, 130, Pará, 126, e Mato Grosso do Sul, 111. Estados que deveriam fazer campanhas preventivas, mas não fazem. Fica a dica!

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