Na tarde de quinta-feira (31), ocorreu a primeira morte no município por leishmaniose viceral. Uma senhora de 70 anos, moradora do bairro Eldorado, foi diagnosticada pela doença, porém, o caso se agravou devido a outros problemas de saúde, levando a paciente ao óbito.
De acordo com informações do Setor de Epidemiologia, da Secretaria Municipal de Saúde, já foi solicitada junto à Secretaria de Administração e Gestão de Pessoas a contratação de pessoal para a formação de uma equipe de combate à doença. Essa equipe trabalhará sob a coordenação do Setor de Controle de Endemias no combate ao vetor e identificação de cães doentes.
Outra ação da Prefeitura é a contratação da Fiocruz para realizar uma pesquisa que apontará políticas modernas, coerentes e eficazes para combater a leishmaniose. De acordo com a pesquisadora e bióloga, Carina Margonari, responsável pela pesquisa, o município está localizado em uma região próxima a cidades que já possuem vários casos da doença.
Ela disse ainda que a situação no município ainda não é um caso de risco, mas que pode tornar se não forem tomados os cuidados necessários.
A bióloga informou que o trabalho é complexo e serão realizadas investigações, estudos dos insetos, que são um dos vetores da doença, e, se necessário, estudos com os cães. Os estudiosos alertaram à população para o cuidado com seus animais. De acordo com eles, a comunidade é o fator principal no combate à doença ?É uma responsabilidade. Não se deve soltar os cães na rua de qualquer maneira. Existem vários problemas além da leishmaniose?.
O que é leishmaniose?
Leishmaniose é o nome que se dá às doenças provocadas pelos protozoários do gênero leishmania. Dependendo da espécie de leishmania a doença pode se manifestar na forma cutânea (leishmaniose tegumentar americana) ou visceral (leishmaniose visceral). Existem muitas espécies capazes de causar leishmaniose no ser humano, mas é a espécie leishmania chagasi (sin. leishmania infantum) a espécie responsável pela leishmaniose visceral (ou calazar) no homem e no cão. Os agentes etiológicos mais comuns da leishmaniose tegumentar americana nos grandes centros urbanos são a leishmania braziliensis e leishmania amazonensis.
A leishmaniose visceral tem evolução mais grave e pode levar o paciente a óbito se não tratada corretamente. Ela acomete principalmente o fígado, baço e medula óssea em seres humanos. Os principais sintomas são: febre, emagrecimento, tosse seca e crescimento do fígado e baço (hepatoesplenomegalia).
A leishmaniose tegumentar americana causa feridas na pele e também podem causar destruição das cartilagens da face (nariz, orelhas, palato). É de evolução benigna, porém pode causar problemas respiratórios, tais como a pneumonia, devido a infecções secundárias e levar o paciente a óbito.
Como ocorre a transmissão da doença?
A transmissão ocorre quando pequenos insetos conhecidos como flebotomíneos (gênero: Lutzomyia), também chamados de mosquito palha e birigui, picam o homem. Durante a picada, se o inseto estiver infectado, ele pode transmitir o protozoário juntamente com o conteúdo estomacal que é regurgitado. Dessa forma, a leishmania entrará na corrente sanguínea e se reproduzirá nas células de defesa do nosso organismo (células do Sistema Monocítico Fagocitário).
Os flebotomíneos se infectam sugando sangue de animais infectados (reservatório da enfermidade). O cão é o principal reservatório urbano da doença. Porém, gatos, cavalos, várias espécies de ratos e gambás já foram encontrados infectados com o protozoário causador das leishmanioses. Uma vez infectados, o flebotomíneo, em um segundo repasto sanguíneo (alimentação do inseto), poderá transmitir a leishmania para os seres humanos.
Quais são as maneiras de prevenção?
Para prevenir a transmissão da doença, é necessário um esforço individual: manter os quintais, canis, galinheiros, pomares, limpos ? uma vez que o vetor se reproduz em matéria orgânica em decomposição; telar (com tela bem fina) os canis ? onde os cães deverão ficar após as 18h, utilizar coleira scalibor nos cães ? previne a picada dos insetos vetores. O uso de velas e a própria planta citronela é indicado como repelente natural.
É necessário também um esforço do poder público: estudar a epidemiologia da doença em seu município para tomar medidas adequadas, tratar os doentes, sacrificar os cães soropositivos, controlar a população de cães vadios, limpar lotes vagos, realizar coletas de lixo regularmente, manter a população informada, dentre outros.
Formiga
Primeiro caso fatal de leishmaniose visceral é confirmado em Formiga
- por Últimas Notícias
- 02/04/2011 - 19:37








