Economia

Produção de azeitonas na Serra da Mantiqueira pode bater recorde em 2026

Foto: Epamig/Divulgação

A produção de azeitonas na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, pode alcançar um recorde na safra de 2026, que está em plena colheita desde o fim de janeiro. Os indicativos positivos são observados principalmente pelo volume já processado no serviço de extração de azeite do Campo Experimental de Maria da Fé da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), além da excelente florada registrada ainda em 2025.

Segundo Pedro Moura, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, o bom desempenho da safra está relacionado a um conjunto de fatores, com destaque para as condições climáticas. De acordo com ele, o inverno mais frio no ano passado contribuiu para uma boa indução floral. O principal deles foi a temperatura fria no inverno do ano passado, que resultou em uma boa indução floral, o que indica uma boa colheita, explicou.

O coordenador detalha que o ciclo produtivo da oliveira começa com a florada no inverno, entre agosto e setembro. As flores se transformam em frutos por volta do final de setembro e início de outubro. Em novembro, a azeitona começa a formar o caroço, fase em que se inicia a produção de azeite dentro do fruto. O amadurecimento ocorre até o verão, quando acontece a colheita, iniciada no final de janeiro e estendendo-se até março ou início de abril, com pico entre fevereiro e março.

Outro fator que pode contribuir para uma safra recorde em 2026 é a bienalidade, fenômeno comum em culturas perenes, como o café, que provoca alternância entre anos de alta e baixa produtividade. Em 2025, por exemplo, a Serra da Mantiqueira produziu cerca de 60 mil litros de azeite, número inferior ao registrado em 2024, quando foram produzidos 150 mil litros — atual recorde da região.

Pedro Moura explica que o desempenho mais baixo em 2025 não foi causado apenas pela bienalidade, mas também por condições climáticas desfavoráveis. O inverno entre 2024 e 2025 não apresentou temperaturas suficientemente frias para estimular uma forte indução floral, resultando em menor quantidade de frutos. Além disso, fatores como chuvas durante o período de florada podem prejudicar a polinização. Às vezes a planta consegue ter uma boa indução floral com o frio e, em plena florada, uma frente fria com umidade pode provocar chuvas que ‘lavam’ os grãos de pólen e comprometem a polinização. E a gente também observou isso em 2024, relatou.

Apesar da expectativa positiva para 2026, o coordenador da Epamig afirma que ainda não é possível estabelecer uma projeção precisa de produção. Segundo ele, a olivicultura na região ainda carece de um sistema mais robusto de coleta de dados. Atualmente, as estimativas são feitas a partir de informações repassadas pelas indústrias da Serra da Mantiqueira após o encerramento da safra. Por isso, ele considera urgente aprimorar esse levantamento e não arrisca indicar um volume estimado para este ano.

Pedro Moura também adiantou que, em 2026, será iniciado um projeto com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) para o cultivo de olivais irrigados. O sistema utilizará irrigação por gotejamento direcionada ao solo, evitando molhar a copa das árvores e, consequentemente, não comprometendo a polinização. A irrigação será realizada no período de seca, no início da florada, entre agosto e setembro, com expectativa de melhorar a produtividade dos pomares.

Mesmo com o crescimento da olivicultura no país, a produção nacional ainda representa uma pequena parcela do consumo interno. Atualmente, o Brasil importa em média 100 milhões de litros de azeite por ano, enquanto a produção nacional chegou, em seu melhor momento, a cerca de 150 mil litros. A produção da Serra da Mantiqueira é majoritariamente formada por pequenos produtores e se destaca pela fabricação de azeites gourmet, comercializados principalmente no turismo rural.

De acordo com Pedro Moura, o Brasil dificilmente conseguirá expandir a área de cultivo a ponto de competir em volume com países europeus tradicionais na produção de azeite. Por isso, o foco da produção nacional está na qualidade e na oferta de produtos diferenciados. Os azeites da região, segundo especialistas, apresentam características próprias, com notas sensoriais que lembram frutas tropicais, como goiaba, além de couve.

Atualmente, a região produtora de azeitonas no Sudeste reúne cerca de 250 produtores, 45 agroindústrias e aproximadamente 100 marcas próprias. Os olivais estão distribuídos em mais de 80 municípios e ocupam uma área estimada próxima de 3 mil hectares, com cerca de 1,2 milhão de plantas cultivadas. Diante desse cenário, a expectativa é que o setor continue se fortalecendo, com foco na qualidade e no desenvolvimento da produção regional.

Com informações do Estado de Minas