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Programas sociais e mercado de trabalho aquecido reduzem índices de pobreza no país, aponta IBGE

Foto: Ravena Rosa/Agência Brasil / Itatiaia

O fortalecimento de programas sociais e a melhora no mercado de trabalho contribuíram para a queda dos índices de pobreza e extrema pobreza no Brasil. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (3) pela Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE, ambos os indicadores atingiram, em 2024, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

A redução vem ocorrendo desde 2021, período em que a pandemia de Covid-19 elevou de forma significativa o número de pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade. Naquele ano, o Auxílio Brasil começou a ser pago em abril, em meio a um cenário crítico: cerca de 18 milhões de pessoas (9% da população) estavam em extrema pobreza, enquanto outras 76 milhões (36,8%) viviam abaixo da linha da pobreza.

Em 2024, os números recuaram para 7,3 milhões de pessoas em extrema pobreza (3,5%) e 48,9 milhões em pobreza (23,1%). Segundo Breno Rodrigues, tecnologista do IBGE, o resultado decorre tanto da ampliação da renda gerada pelo aumento da ocupação quanto do reforço dos programas sociais. “O Bolsa Família, o Pé-de-Meia, tudo ajuda a aumentar a renda por domicílio, e isso faz com que a população abaixo da linha da pobreza geral diminua”, afirmou em entrevista à Itatiaia.

O Banco Mundial estabelece como linha de pobreza o rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 694 mensais (US$ 6,85 por dia). Já a extrema pobreza é definida por renda de até R$ 218 mensais (US$ 2,15 por dia).

O mercado de trabalho também teve papel decisivo: em 2024, a taxa de desocupação caiu para 6,6%, a menor desde 2012, enquanto o nível de emprego atingiu 58,6%, o maior da série. A população ocupada chegou a 101,3 milhões de pessoas, 2,6 milhões a mais que em 2023. Entre os ocupados, apenas 0,6% estavam em extrema pobreza, índice que sobe para 13,7% entre os desocupados e 5,6% entre aqueles fora da força de trabalho.

A tendência para 2025, segundo o IBGE, ainda aponta para manutenção de índices historicamente baixos, embora a política monetária com juros de 15% ao ano possa desacelerar a economia. O desemprego, no entanto, segue em níveis reduzidos: 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor da série. Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) indicam que 95 milhões de pessoas estão registradas no CadÚnico, e 88,3 milhões receberam o Bolsa Família em 2025.

Apesar disso, existe a possibilidade de aumento da pobreza e da extrema pobreza no próximo ano, caso não haja novas medidas compensatórias. Rodrigues aponta que programas como o vale-gás, retomado em 2025, podem amenizar o cenário, mas destaca que ainda é cedo para projeções conclusivas: “Temos que analisar o quanto a ocupação vai cair em compensação às políticas sociais incrementadas. Ainda não tem como afirmar.”

Com informações do Itatiaia