O percentual de famílias brasileiras com dívidas, incluindo cartão de crédito, carnês e financiamentos, alcançou 79,5% em janeiro, patamar mais alto já registrado, igualando o recorde de outubro de 2025. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência — parcela das famílias que não consegue pagar as dívidas no prazo — caiu pelo terceiro mês consecutivo, chegando a 29,3% em janeiro, ante 30,5% em outubro.
Perfil do endividamento
O levantamento mostra que o endividamento é mais frequente entre famílias com renda de até três salários mínimos, atingindo 82,5%. Entre famílias com renda acima de dez salários mínimos, o indicador recua para 68,3%. O salário mínimo, desde janeiro, é de R$ 1.621.
O cartão de crédito é a modalidade mais utilizada, presente em 85,4% das famílias endividadas, seguido por carnês (15,9%), crédito pessoal (12,2%), financiamento de casa (9,6%), financiamento de carro (8,7%), crédito consignado (6%), cheque especial (3,4%), outras dívidas (2,5%) e cheque pré-datado (0,3%).
O tempo médio para quitar as dívidas é de 7,2 meses, e as famílias comprometem em média 29,7% da renda mensal com pagamentos de dívidas. Uma em cada cinco famílias (19,5%) afirma que mais da metade da renda está comprometida.
Inadimplência e juros
A inadimplência é maior entre famílias de menor renda: 38,9% nos lares com até três salários mínimos, contra 14,9% entre famílias com renda superior a dez salários mínimos. O tempo médio de atraso ficou em 64,8 dias, e 12,7% das famílias afirmaram não ter condições de pagar dívidas atrasadas.
A CNC destaca que juros altos dificultam a amortização das dívidas e pressionam o orçamento familiar. A taxa básica de juros, Selic, está em 15% ao ano, nível mais alto desde julho de 2006, e influencia as demais taxas de crédito no mercado. A Selic elevada tem sido usada para conter a inflação, que passou 13 meses acima do teto da meta oficial, voltando ao intervalo de tolerância em novembro de 2025.
Projeções
Segundo a CNC, o endividamento deve continuar em alta no primeiro semestre, podendo atingir 80,4% em junho. A inadimplência, por outro lado, deve reduzir para 28,9% até o mesmo mês, devido à expectativa de queda da Selic a partir de março, segundo o economista-chefe da entidade.
“O impacto da redução dos juros deve começar a ser sentido no mercado de crédito provavelmente no início do terceiro trimestre”, afirmou o economista.
Com informações da Agência Brasil







