Mais importante que responder a este questionamento é sabermos que, com a venda da Eletrobrás, suas filhas órfãs, conhecidas como Eletrosul, Chesf, Eletronorte, Eletronuclear e Furnas, todas, integram o pacote que este governo, com o apoio de um grande número de “honrados senhores” instalados no Congresso Nacional, nos diversos Tribunais Superiores, Ministérios, inclusive o Público, Agências Reguladoras, Órgãos de Controle, Procuradorias e tantos outros, fazendo de moucos os seus ouvidos, estranhamente, não foram e ainda são incapazes, com raríssimas exceções, de moverem uma palha sequer, para demonstrarem sua insatisfação, negando apoio a este crime que está se perpetrando hoje contra o futuro desta nação. Isto, pontualmente, no que toca ao nosso sistema de geração de energia limpa, através do aproveitamento hidráulico de nossos rios, que serão em breve, transferidos para as mãos de, sabe-se lá quem!

O que hoje ocorre com a nossa dependência na questão ligada aos preços abusivos que circunstâncias outras nos impõem com relação ao abastecimento de derivados de petróleo, certamente, se repetirá quando a energia elétrica aqui produzida, esta maciçamente gerada a partir das nossas hidrelétricas, se vier a ser concretizada a tal privatização. O custo da energia a ser produzida certamente será majorado sem a menor preocupação com o social.

Quem de nós não se lembra da luta que foi, há anos, para que este país, com o sacrifício de seu povo, fizesse com que a nossa Petrobrás se tornasse em uma das maiores petrolíferas do mundo? Tudo a partir da crença que nos foi trazida com a adoção do slogan, mais que repetido, e que numa espécie de lavagem cerebral, nos fez crer que “O petróleo é nosso!”.

Pois é. Era! E deixou de ser quando uns “patriotas “resolveram solapar nossa Petrobrás. Leiloaram e a entregaram a interesses estrangeiros, ainda que minoritários. Ela era a nossa maior riqueza, inclusive, a única do mundo capaz de explorar as jazidas do pré-sal.

E agora, infelizmente, esta história de hoje, toma o mesmo rumo. Estes caras não estarão entregando apenas a Eletrobrás, mais uma vez, sabe-se lá para quem. E pior ainda: eles também estarão vendendo as nossas águas! Logo elas, a nossa maior riqueza hoje, dentre as poucas que nos restaram e maior objeto de cobiça do resto do mundo, faz tempo! Não precisa ser muito esperto para se perceber isto, pois, não existe barragem e nem geração, ainda que a fio d’água, se não houver rio! Portanto…

Se de um lado, no resto do mundo, não há produção de energia suficiente para de forma sustentável atender as necessidades globais, de outro, com a tensão gerada pela guerra que envolve interesses da Rússia e de países membros da OTAN, e todas as consequências advindas dos boicotes comerciais de ambos os lados, tudo isto é prenúncio de que a produção de energia, por lá, a partir de termoelétricas, forma de geração predominante em centenas de países, corre o risco de ser drasticamente reduzida. E aí, não é difícil imaginarmos que, estamos hoje, oferecendo ao capital estrangeiro, a preço de banana, a joia da nossa coroa! Ao menos foi isso o que disse o valoroso Ministro Aroldo Cedraz, do TCU que, apesar de seu minucioso e bem fundamentado relatório, não conseguiu convencer os seus pares, a ponto de evitar o desastre que, tudo indica, se avizinha.

Com jabutis ou sem jabutis, o que os “patriotas” do Congresso Nacional aprovaram, atendendo os desejos e os sonhos do tal “Posto Ipiranga” baba ovo de seu chefe maior, poderá até lhes trazer algum reforço para o caixa governamental e ainda a tempo de quitarem suas dívidas com a turma do “centrão” e outros periféricos. A bem da verdade, tanto ele, quanto o chefe maior, hoje pensam unicamente na próxima eleição. Estão pouco se lixando para o que virá depois! Em ano de eleição vale tudo, menos perder!

E disto todos nós brasileiros, sabemos. Como também pensamos que a entrega da nossa única forma de produzir e distribuir energia elétrica país afora, a um monopólio ávido de lucros, representará prejuízos incalculáveis para o povo brasileiro, em especial para o enorme contingente daqueles de menor renda.

Se no petróleo e seus derivados, atualmente, os preços são acrescidos a cada mês em 10, 20 ou muito mais por cento, preparem-se porque isto também ocorrerá nas contas de energia, tão logo a Eletrobrás mude de mãos.  Afinal de contas, o ensaio já foi feito com as tais bandeiras tarifárias, inclusive, com a aquela escorchante de escassez hídrica, que por sinal, apesar das promessas, ainda este mês, aqui na área atendida pela tal Cemig, ainda aparece sendo cobrada nas contas que foram lidas e emitidas, há poucos dias, com vencimento programado para o início de junho.

O sacrifício do povo brasileiro para criar a Petrobrás, a Eletrobrás e outras brás por aí, todas paridas com os nossos recursos, suor e lágrimas, infelizmente, também agora nada representa. Transformar nosso esforço hercúleo em lucro para os investidores foi o que governos outros assim como este, fizeram. A esta altura os investidores, lá fora, já estão a comemorar mais este presentinho que a eles será ofertado. Até quando? Acorda povo!

 

 

 

 

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