Política

Romeu Zema critica Ciro Nogueira após operação da Polícia Federal sobre caso Banco Master

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, criticou o senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, após o parlamentar ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (7).

Segundo a investigação, Ciro Nogueira é suspeito de usar o mandato para atender interesses do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como protagonista do escândalo envolvendo o Banco Master.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Romeu Zema incluiu Ciro Nogueira entre os políticos e magistrados que ele tem chamado de “intocáveis”.

“O Vorcaro pagava mesada a políticos vendidos, ele bancava viagens de luxo para os intocáveis de Brasília, pagava viagens de jatinho com direito a hotel de luxo, lagosta e uísque à vontade. Sabe pra quê? Pra esses safados acobertarem as fraudes do Banco Master por meio de leis apresentadas ao Congresso”, afirmou Zema ao comentar o trabalho da Polícia Federal.

Ainda segundo o ex-governador, a operação pode revelar novos fatos relacionados às investigações.

“Muito mais coisa ainda vai aparecer. E vou te dizer uma coisa, eles têm medo, medo da nossa revolta, medo de mais investigação. Você notou o silêncio nessas últimas semanas lá em Brasília? Ninguém está falando nada de Banco Master. Os intocáveis do sistema, essas raposas velhas que só querem te roubar, já estão sentindo o cheiro do problema”, declarou.

A Polícia Federal deflagrou a quinta fase da operação Compliance Zero, que investiga o núcleo político suspeito de envolvimento em crimes relacionados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.

Durante a ação, o senador Ciro Nogueira foi alvo de mandado de busca e apreensão.

A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

Além das buscas, a decisão judicial determinou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens, direitos e valores ligados aos investigados.

De acordo com a Polícia Federal, uma emenda parlamentar apresentada por Ciro Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido elaborada pela assessoria do Banco Master e entregue impressa na residência do senador.

Conforme a investigação, a proposta foi protocolada no Senado em 2024 após articulação direta de Daniel Vorcaro, que, segundo a PF, teria afirmado que o texto “saiu exatamente como mandei”.

A decisão do ministro André Mendonça também aponta indícios de que Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais inicialmente de R$ 300 mil, posteriormente elevados para R$ 500 mil. A investigação cita ainda a compra de participação em empresa por valor abaixo do mercado, utilização de imóvel de alto padrão e custeio de viagens, hotéis, restaurantes e voos privados.

Em um dos trechos reproduzidos na decisão judicial, um interlocutor questiona Daniel Vorcaro sobre a continuidade do pagamento de despesas de restaurantes de “Ciro/Flávia” durante uma viagem internacional. Em resposta, o banqueiro teria afirmado: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.

A operação Compliance Zero segue investigando possíveis conexões entre agentes públicos, operadores financeiros e estruturas de ocultação de patrimônio ligadas ao caso Banco Master. Enquanto isso, as declarações de Romeu Zema ampliaram a repercussão política da investigação envolvendo o senador Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Com informações do O Tempo