Subiu para 166 o número de municípios do Rio Grande do Sul que enfrentam problemas no abastecimento de óleo diesel, segundo boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) divulgado nesta quarta-feira (25). O aumento representa um terço das cidades do estado, refletindo impactos na prestação de serviços essenciais e nas atividades que dependem do combustível.
Crescimento do desabastecimento e municípios em estado de emergência
Os dados da Famurs foram atualizados até as 9h desta quarta-feira. Na última quinta-feira (19), 142 cidades relataram dificuldades. Dois municípios, Formigueiro e Tupanciretã, seguem em estado de emergência. A capital Porto Alegre não consta entre as localidades afetadas.
A federação gaúcha explicou que os sinais de desabastecimento representam “um sinal de alerta para o funcionamento dos serviços essenciais nas cidades”. Das 497 cidades consultadas, 384 responderam à pesquisa, confirmando o impacto em 166 delas.
Impactos nos serviços e obras municipais
Diante da escassez, prefeituras têm priorizado o uso do diesel em áreas essenciais, como saúde e transporte de pacientes. Obras e atividades que dependem de maquinário foram suspensas. O óleo diesel é o principal combustível para caminhões, ônibus e tratores, fundamentais para a logística e serviços urbanos.
Esclarecimentos da ANP
A Agência Brasil solicitou esclarecimentos à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mas não recebeu retorno até a conclusão da reportagem. No último balanço, a ANP informou que não havia falta de produtos, mas sim problemas logísticos na distribuição.
Reflexos da guerra no Irã
O aumento do desabastecimento e a elevação do preço do diesel em várias regiões do país estão relacionados à guerra no Irã, iniciada com ataques dos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, tornando o derivado do petróleo mais sensível às crises internacionais. Desde então, o preço do litro subiu aproximadamente 20%, segundo a ANP.
Ações do governo para conter o impacto
Para minimizar o repasse da alta global ao consumidor final, o governo federal zerou as alíquotas do Pis e Cofins sobre o diesel e oferece subvenção de R$ 0,32 por litro produzido ou importado. A Petrobras reajustou o preço do combustível em R$ 0,38 no dia 14 de março, mas, segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, o impacto nas bombas foi suavizado pelas medidas do governo.
Além disso, há proposta para que estados também contribuam com subsídios, e a ANP intensifica a fiscalização de postos e distribuidoras em todo o país.
Conclusão
A escassez de óleo diesel em 166 municípios gaúchos evidencia a vulnerabilidade dos serviços essenciais frente a fatores logísticos e impactos globais do mercado de petróleo. Com ações do governo federal e fiscalização da ANP, busca-se reduzir os efeitos da crise sobre o abastecimento e os preços para a população.
Com informações da Agência Brasil








