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Polícia Civil desmantela esquema de R$ 11 milhões ligado ao “Jogo do Tigrinho”

Foto: Pedro Affonso/Folhapress

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou, nas primeiras horas desta quarta-feira (6), uma operação de grande alcance para desarticular um esquema criminoso envolvendo o chamado “Jogo do Tigrinho”. A ação resultou no cumprimento de mandados em sete estados e no bloqueio de aproximadamente R$ 11 milhões associados a uma organização composta por influenciadores digitais. Segundo as investigações, o grupo lucrava ao induzir seguidores a prejuízos em plataformas de apostas manipuladas.

De acordo com os investigadores, a fraude era sustentada por contas de demonstração que exibiam ganhos elevados e irreais, criando uma falsa sensação de sucesso nas apostas. Os principais alvos da operação, Roberth Lucas, de 24 anos, e Eduarda Cavalcante, de 21, utilizavam suas redes sociais para divulgar links que direcionavam usuários a sistemas programados para gerar perdas.

O modelo de negócio da organização se baseava em comissões: parte do dinheiro perdido pelas vítimas retornava aos influenciadores, tornando o esquema altamente lucrativo.

As apurações tiveram início em julho de 2024, após a realização de buscas na residência do casal em Brazlândia, no Distrito Federal. A investigação revelou uma estrutura organizada em formato piramidal, com divisão clara entre líderes, operadores técnicos e influenciadores responsáveis pela divulgação.

Para ocultar o fluxo financeiro, a rede utilizava servidores proxy e contas bancárias vinculadas a CPFs de terceiros, dificultando o rastreamento do dinheiro.

Nas redes sociais, Roberth Lucas e Eduarda Cavalcante exibiam um padrão de vida considerado incompatível com suas atividades declaradas. Roberth, que afirmava ser estudante, publicava vídeos realizando compras de alto valor com dinheiro em espécie, além de mostrar passeios de lancha e hospedagens em resorts de luxo.

A ostentação levantou suspeitas de lavagem de dinheiro, reforçando as linhas de investigação conduzidas pela polícia.

A operação foi realizada no Distrito Federal e também nos estados de Goiás, São Paulo, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia. Ao todo, nove investigados foram alvo de medidas judiciais.

A Justiça determinou o bloqueio de bens com o objetivo de interromper as atividades do grupo e viabilizar eventual ressarcimento às vítimas. Os envolvidos poderão responder por crimes como estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Em publicação nas redes sociais, Roberth Lucas negou participação no esquema e afirmou estar sendo perseguido. Em sua declaração, ele disse: “Estão tentando me empurrar como um líder de quadrilha organizada. Já tentaram me envolver com todo tipo de crime. Já falaram que eu lavo dinheiro pelo crime organizado, que eu sou do crime organizado. Agora sou líder de quadrilha” disse. 

A operação da Polícia Civil do Distrito Federal evidencia a crescente atuação de organizações criminosas no ambiente digital, especialmente por meio de influenciadores. O caso segue em investigação, e as autoridades buscam aprofundar a apuração para responsabilizar os envolvidos e garantir reparação às vítimas do esquema.

Com informações do O Tempo