Paulo Coelho*

Provavelmente a inércia, fruto do excesso de burocracia e do descaso por parte do agente financeiro, Banco do Brasil, assim como de órgãos fiscalizadores e de outros envolvidos na implantação e execução de Programas de Habitação de Interesse Social, tem sido a principal causa do desperdício do dinheiro público e indiretamente financia a prática de atividades ilícitas, em especial, no populoso bairro Tino Pereira

Das 300 unidades habitacionais construídas, segundo levantamento feito pela própria Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano, 32 estão vazias sendo que destas, sete se encontram totalmente depredadas (vandalizadas) e, segundo moradores do bairro, servem de abrigo a meliantes que transformaram algumas delas em ponto de tráfico de drogas.

Tudo isto é relatado em correspondências encaminhadas à redação do Nova Imprensa por moradores daquele bairro, estes sim, trabalhadores, gente honesta que acreditou no governo e sonhou um dia com a casa própria, mas que, até hoje, não possui documento que comprove a propriedade do bem adquirido, devidamente registrado, apesar de haver pago o que foi cobrado mensalmente e de arcar com outras despesas inerentes à sua aquisição.

O mais grave é que toda esta situação reconhecida como irregular, foi comprovada por meio de documentos apresentados ao jornal. Inclusive, todo o acima relatado é do conhecimento do Banco do Brasil desde fevereiro de 2007, conforme relatório encaminhado pela chefe da Divisão de Programa de Habitação e Interesse Social do município.

Estranha e inexplicavelmente, o Banco do Brasil, segundo foi informado ao jornal, não tomou nenhuma providência.

Na Prefeitura, a informação é a de que nada pode ser feito pelo município, apesar de todos saberem que existe uma demanda reprimida de pelos 252 famílias em condição e ávidas por assumir tais imóveis. Porém, para que isto ocorra, para que seja possível o atendimento da lista de espera, primeiro é preciso que o agente financeiro retome a posse dos imóveis que hoje estão sendo ocupados ou não, irregularmente. Segundo informações da secretaria, estes, os ocupantes se alternam a cada semana, perpetuando assim as irregularidades e contrariando todas as normas do sistema.

Também se sabe que hoje, um razoável número de imóveis está sendo explorado como pontos comerciais e à boca miúda corre a informação de que um só proprietário acumula o controle e a exploração (via aluguéis) de mais de uma dezena de residências.

De uma das muitas correspondências enviadas à redação, pinçamos uma em que a signatária assim conclui sua denúncia (queixa): “(…) infelizmente nenhum dos órgãos responsáveis se prontifica a solucionar ou ajudar a solucionar os problemas citados acima. Sou apenas uma moradora indignada com a falta de respeito, com o descaso e com a incapacidade das autoridades responsáveis. Se puderem e se interessarem em comprovar o que foi dito acima, só passar no bairro, principalmente nos fins de semana. Obrigada”!

Uma vez visitado o bairro e comprovada inclusive documentalmente a gravidade do problema, o Nova Imprensa/Ultimas Notícias, torna pública esta denúncia na esperança de que as autoridades responsáveis sejam acionadas por quem de direito e se vislumbre, de imediato, uma solução para este grave problema.

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