Práticas utilizadas no século passado, como eletrochoques e lobotomias, para tratar doenças mentais, estão sendo atualizadas ? e ganhando novas aplicações, como, por exemplo, o controle do transtorno obsessivo compulsivo, o TOC.
Acontece que a volta dessas técnicas, que já foram usadas até em tortura, estão provocando polêmica e dividindo estudiosos e especialistas. De um lado estão os que argumentam ser a última chance para pessoas que sofrem de distúrbios graves sem solução com métodos de rotina. De outro, estão os críticos dessas práticas atuais, que afirmam que essas são opções experimentais que levam pacientes a correrem riscos. Para eles, não há provas da validade dos novos métodos.
Pela primeira vez desde que a lobotomia (retirada parcial ou total de um lobo do cérebro) caiu em descrédito na década de 1950, cirurgias para tratar transtornos de comportamento ganham adeptos, mas geram polêmica. Nos EUA, ela gira em torno da operação para tratar o TOC.
Há dois anos, a agência norte-americana que controla drogas e alimentos (a FDA) aprovou a operação de estimulação cerebral profunda, conhecida pela sigla DBS (em inglês), que consiste no implante de eletrodos dentro do cérebro para ativar determinadas áreas. Entretanto, em artigo na revista ?Health Affairs? especialistas dizem que essa autorização foi um erro, considerando que a técnica não foi suficientemente testada. Além disso, sua eficácia a longo prazo e os seus efeitos colaterais não seriam bem conhecidos.
Na verdade, a técnica para aliviar o TOC, a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês) é conhecida há décadas, mas só atualmente tem sido mais aplicada. Os autores do artigo na ?Health Affairs? citam pelo menos um estudo para ficar com o pé atrás com relação à psicocirurgia. Cientistas suecos observaram que pessoas submetidas a outro tipo de cirurgia para TOC (a capsulotomia, que corta circuito cerebral) apresentavam apatia e dificuldade de autocontrole. Ainda para os críticos, o interesse comercial é que tem impulsionado o uso da DBS. Mas os médicos que usam o método discordam.








