Internacional

Trump ameaça anexar a Groenlândia e sugere ação militar contra a Colômbia após ataque à Venezuela

Foto: Barni1 / Pixabay

Um dia após bombardear a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar a tensão internacional ao ameaçar anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e ao sugerir uma possível ação militar contra o governo da Colômbia, liderado por Gustavo Petro. As declarações provocaram reações imediatas de líderes europeus e do presidente colombiano.

Diante das ameaças envolvendo a Groenlândia, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, divulgou uma nota afirmando que os Estados Unidos não têm qualquer direito de anexar países que integram o Reino da Dinamarca. Ela apelou pelo fim das declarações hostis e classificou a postura como inaceitável. “Insisto veementemente para que os EUA cessem as ameaças contra um aliado histórico e contra outro país e outro povo que já deixaram bem claro que não estão à venda”, declarou.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também reagiu pelas redes sociais, afirmando que as falas de Trump foram desrespeitosas. Segundo ele, associar a Groenlândia à Venezuela e a uma possível intervenção militar ultrapassa os limites diplomáticos. “Quando o presidente dos Estados Unidos fala ‘precisamos da Groenlândia’ e nos liga com a Venezuela e intervenção militar, não é só errado. Isto é tão desrespeitoso. Nosso país não é objeto de retórica de superpotência”, afirmou.

Em entrevista concedida à revista The Atlantic no domingo (4), Trump defendeu a necessidade de controle do território por razões estratégicas. Segundo o presidente norte-americano, a Groenlândia seria essencial para a segurança nacional dos Estados Unidos.“[Precisamos da Groenlândia] não por causa dos minerais, temos vários lugares para minerais e petróleo, mais que qualquer país do mundo. Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, disse.

As ameaças de anexação da Groenlândia vêm sendo feitas desde que Trump assumiu o governo, em janeiro de 2025. A nova declaração foi rechaçada por outros líderes europeus, incluindo chefes de Estado da Finlândia, Noruega e Suécia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca têm legitimidade para decidir o futuro do território. “É muito importante que o futuro da Groenlândia seja para o Reino da Dinamarca e para a própria Groenlândia, e somente para a Groenlândia e o Reino da Dinamarca”, disse à emissora BBC, destacando ainda a importância da Dinamarca como aliada da Otan.

Colômbia

Além das declarações sobre a Groenlândia, Trump também ameaçou uma ação militar contra a Colômbia. Ao comentar o governo do presidente Gustavo Petro, crítico das políticas da Casa Branca para a América Latina, Trump afirmou que uma intervenção militar “parece bom”.
A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, declarou a jornalistas.

Gustavo Petro rejeitou as acusações e negou qualquer envolvimento com o narcotráfico. O presidente colombiano afirmou que sua vida financeira é pública e que não possui bens incompatíveis com sua renda.“Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas; meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram tornados públicos”, afirmou.

Petro também convocou a população a defender a soberania do país diante de possíveis atos de violência externa. Segundo ele, as forças de segurança foram orientadas a não agir contra o povo colombiano.“Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, completou.

As declarações de Donald Trump ampliaram o clima de instabilidade no cenário internacional, gerando reações firmes de governos europeus e da Colômbia. Enquanto líderes defendem a soberania dos territórios ameaçados, as falas do presidente dos Estados Unidos reforçam preocupações sobre o aumento das tensões diplomáticas e o risco de novos conflitos.

Com informações do Hoje em Dia